A Justiça de Alagoas determinou que o policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho, acusado de matar dois colegas de trabalho em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas, seja submetido a um exame médico-legal para verificar se ele apresentava algum quadro de alteração mental no momento dos crimes. A decisão foi tomada pela 1ª Vara de Delmiro Gouveia após a defesa solicitar a instauração de um incidente de insanidade mental.

Gildate está preso preventivamente desde 20 de maio e foi indiciado pelas mortes dos policiais civis Denivaldo Jardel Lira Moraes e Yago Gomes Pereira. Os dois foram encontrados mortos a tiros dentro de uma viatura descaracterizada da Polícia Civil, na região central do município.

Na decisão, a juíza Jéssica Lourenço de Sá Santos apontou a existência de elementos que levantam dúvidas sobre a condição mental do acusado na ocasião do duplo homicídio. Entre os fatores considerados estão um relatório da própria Polícia Civil, que levantou a possibilidade de um surto psicótico após o consumo de bebida alcoólica, além de relatos de pessoas próximas sobre uma mudança repentina e incomum no comportamento do policial.

Durante o interrogatório após o crime, Gildate teria afirmado que não reconhecia as ruas da cidade onde morava. Uma companheira relatou que ele estava “aéreo, sem cor, totalmente irreconhecível”, enquanto uma enteada afirmou que o policial teria apresentado falas desconexas.

Outro ponto considerado pela Justiça foi a ausência, até o momento, de uma motivação aparente para os assassinatos. Conforme o inquérito, Gildate e as vítimas haviam participado de uma confraternização poucas horas antes dos crimes, e a investigação não teria identificado desavenças anteriores, planejamento ou conflitos entre eles.

O policial civil Gildate Góes Moraes Sobrinho / Foto: Reprodução

 

Para a magistrada, a mudança abrupta de comportamento, associada à ausência de uma motivação clara, justifica a realização da perícia para esclarecer a condição mental do policial.

A Justiça, no entanto, ressaltou que a autorização do exame não significa que Gildate tenha um transtorno mental ou que estivesse em surto psicótico quando matou os colegas. O objetivo da perícia é justamente verificar se havia alguma alteração de sua capacidade mental no momento dos fatos.

O exame será realizado por um médico do Centro Psiquiátrico Judiciário, e o laudo deverá ser apresentado inicialmente no prazo de 45 dias.

Apesar da determinação da perícia, a Justiça manteve a prisão preventiva do policial.