O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (9) o retorno imediato de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal. A decisão também reintegra Leandro Almada da Costa à Diretoria de Inteligência Policial da corporação. A informação foi publicada pela coluna de Manoela Alcântara, no Metrópoles.

Os dois delegados haviam sido afastados na terça-feira (8) por decisão do ministro André Mendonça. Ao suspender a medida, Dino afirmou que a permanência do afastamento poderia comprometer investigações conduzidas pela PF, inclusive processos sob sua relatoria.

O ministro também questionou a legitimidade do Partido Novo, responsável pelo pedido que levou à retirada dos delegados. Segundo Dino, partidos políticos não integram processos penais e, por isso, não poderiam requerer esse tipo de medida cautelar.

“A ilegitimidade ativa do Partido Novo é inequívoca”, escreveu o ministro.

Dino argumentou ainda que o Código de Processo Penal reserva a apresentação desses pedidos à autoridade policial e ao Ministério Público. Para ele, uma legenda pode defender seus interesses eleitorais, mas não interferir dessa forma em uma investigação criminal.

Outro ponto citado foi o impacto da mudança na cúpula da PF. Na avaliação do ministro, o afastamento de Andrei alteraria a equipe responsável pelas apurações, atrasaria o acesso a materiais já reunidos e prejudicaria a atuação da corporação.

A controvérsia deverá ser submetida ao plenário do Supremo. Caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin, encaminhar a análise do caso pelos demais ministros.

Afastamento durou um dia

André Mendonça havia determinado a saída preventiva de Andrei Rodrigues e Leandro Almada após apontar suspeitas sobre a produção de relatórios sigilosos pela Polícia Federal.

O ministro afirmou ter sido alvo de monitoramento “sistemático e ilegal” durante mais de 30 dias. Conforme a decisão anterior, ao menos seis relatórios de inteligência teriam sido produzidos entre 3 e 31 de agosto de 2026.

O episódio faz parte da crise aberta no STF em meio aos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master. A Procuradoria-Geral da República contestou os atos de Mendonça, enquanto o presidente da Corte encaminhou ao plenário a discussão sobre os relatórios elaborados pela PF.

Com a decisão de Dino, Andrei Rodrigues e Leandro Almada retomam integralmente as atribuições na cúpula da Polícia Federal.