Misturar medicamentos controlados com energéticos na tentativa de aumentar a disposição e melhorar o desempenho no dia a dia pode provocar taquicardia, elevar a pressão arterial e até levar a um colapso, inclusive em pessoas jovens e sem histórico de problemas cardíacos. A prática, que vem sendo difundida por meio de vídeos e receitas caseiras nas redes sociais, é considerada perigosa e não deve ser adotada.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que medicamentos não devem ser utilizados de forma recreativa. Esses produtos são desenvolvidos para o tratamento de condições de saúde específicas e devem ser usados somente quando necessários, sob prescrição e acompanhamento médico.

O risco aumenta quando medicamentos controlados são combinados com substâncias estimulantes presentes em energéticos, como cafeína e taurina. Segundo cardiologistas, essa associação pode provocar aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, com possibilidade de consequências graves.

Além dos efeitos sobre o sistema cardiovascular, o uso recreativo de medicamentos controlados pode causar dependência física, química ou psicológica e alterações na percepção, no comportamento e na forma de pensar. A prática também pode aumentar a exposição a acidentes e episódios de violência, como quedas e brigas.

A Anvisa destaca que, durante o processo de registro de um medicamento, os riscos e benefícios do produto são avaliados e descritos na bula para orientar pacientes e profissionais de saúde. Como todo medicamento pode provocar eventos adversos, o consumo sem indicação médica expõe a pessoa aos riscos sem que exista um benefício terapêutico que justifique o uso.

Apesar disso, misturas envolvendo esses produtos vêm sendo banalizadas em vídeos e brincadeiras nas redes sociais, muitas vezes apresentadas como alternativas para obter mais energia ou suportar uma rotina intensa. O uso de medicamentos controlados, porém, exige acompanhamento médico contínuo, com avaliação das doses, do período de tratamento e das condições específicas de cada paciente.

 

Cansaço frequente merece atenção

A busca por estimulantes também pode mascarar um problema que precisa ser investigado. O cansaço persistente pode estar relacionado a condições como anemia, alterações na tireoide, apneia do sono ou depressão. Por isso, a recomendação é não recorrer à automedicação e procurar avaliação médica quando a falta de disposição se torna frequente.

Para melhorar a energia no cotidiano sem recorrer a medicamentos, algumas medidas são consideradas mais seguras. A prática regular de exercícios físicos, por exemplo, contribui para reduzir o estresse e a ansiedade, melhorar o sono, aumentar a sensação de bem-estar e favorecer o condicionamento cardiovascular.

Manter uma alimentação equilibrada, beber água adequadamente e dormir bem também são hábitos que contribuem para a disposição. Reservar períodos para lazer, descanso e atividades prazerosas completa o conjunto de medidas que pode ajudar o organismo a enfrentar melhor a rotina.

*Com assessoria