A intenção de consumo das famílias de Maceió acumula queda de quase 12% em um ano, apesar da recuperação observada nos últimos meses. Em agosto, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) ficou em 101,9 pontos, contra 115,7 registrados no mesmo período de 2025. Na comparação com julho deste ano, quando alcançou 102,2 pontos, houve leve recuo de 0,3%. Mesmo com a desaceleração, o indicador permanece acima dos 100 pontos, faixa considerada de satisfação.
Os dados são da pesquisa realizada pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O resultado de agosto interrompe o avanço registrado em julho e mostra que a recuperação do consumo perdeu força no mês.
O cenário ocorre em meio à desaceleração de alguns preços e à manutenção do crédito em patamar elevado. O IPCA de julho avançou 0,07%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,44%. Alimentação e bebidas tiveram queda de 0,67%, e a alimentação no domicílio recuou 1,14%. A taxa Selic, por sua vez, passou de 14,25% para 14% ao ano.
Emprego avança, mas consumo atual recua
Entre os componentes do ICF, o Emprego Atual avançou 0,41% e chegou a 116,3 pontos. Em sentido contrário, a percepção sobre a Renda Atual caiu 0,76%, para 112,4 pontos.
“A melhora marginal do emprego contrasta com a perda de força da renda percebida. Mesmo com inflação mais baixa em itens essenciais, a renda familiar continua pressionada pelo custo acumulado de vida, pelas dívidas e pelos juros elevados”, analisa o assessor econômico do Instituto Fecomércio, Lucas Sorgato.
A maior retração entre os subindicadores ocorreu no Consumo Atual, que caiu 3,47% e chegou a 81,6 pontos. Segundo a análise da pesquisa, o movimento indica perda de intensidade da recuperação observada em julho e pode estar relacionado ao fim das férias escolares e à redução dos gastos sazonais com lazer, viagens e entretenimento.
A Perspectiva Profissional também recuou, com queda de 0,68%, mas permaneceu como o indicador mais elevado da pesquisa, aos 126 pontos.
Já a Perspectiva de Consumo avançou 2,02%, chegando a 94,9 pontos. O indicador relacionado ao Crédito apresentou estabilidade, com alta de apenas 0,08%, para 103,6 pontos.
Diferença entre faixas de renda permanece
A pesquisa também aponta comportamentos diferentes conforme a renda das famílias. Entre aquelas que recebem até 10 salários mínimos, o ICF ficou praticamente estável, passando de 98,6 pontos em julho para 98,4 em agosto. Nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o índice caiu de 157,7 para 155,2 pontos.
Na Perspectiva de Consumo, porém, houve melhora entre as famílias de menor renda, com o indicador passando de 88 para 90,2 pontos. Entre aquelas com renda superior a 10 salários mínimos, houve redução de 169,5 para 167,1 pontos.
“A melhora na renda mais baixa é pequena, mas relevante porque mantém esse grupo acima da linha de satisfação pelo segundo mês consecutivo. Já a queda entre as famílias de maior renda pode refletir maior cautela na contratação de financiamentos de maior valor, exatamente aqueles mais sensíveis aos juros, como veículos, imóveis e bens duráveis”, observa Sorgato.
Maceió se aproxima do índice nacional
Apesar da queda registrada em agosto, a trajetória dos últimos meses mostra que Maceió voltou a se aproximar do desempenho nacional. O ICF da capital alagoana havia caído para 98,3 pontos em maio, avançou para 99 em junho e chegou a 102,2 em julho, antes de ficar em 101,9 pontos em agosto. O índice nacional permaneceu em torno dos 104 pontos.
Na avaliação do Instituto Fecomércio AL, agosto apresentou um cenário menos adverso para o comércio de bens, serviços e turismo do que o observado no segundo trimestre, mas a cautela dos consumidores permanece.
Emprego, inflação mais moderada e redução da Selic contribuíram para a recuperação gradual, enquanto renda, consumo atual e aquisição de bens duráveis ainda indicam pressão sobre o orçamento das famílias. Nesse cenário, preços competitivos, promoções e estratégias comerciais podem contribuir para estimular as vendas e fortalecer uma eventual retomada do consumo nos próximos meses.
*Com assessoria
*Imagem gerada por IA
