A investigação sobre a morte de Ruan Wilson de Lima Silva, de 15 anos, atropelado na Avenida Durval de Góes Monteiro, em Maceió, aponta que o motorista suspeito trafegava em alta velocidade e atingiu o adolescente enquanto ele concluía a travessia da via pela faixa de pedestres. A Polícia Civil de Alagoas também apura possíveis falhas no atendimento inicial da ocorrência e as circunstâncias que levaram o condutor a não ser autuado em flagrante.

O atropelamento aconteceu na noite de 25 de agosto. Segundo informações da PC, o depoimentos de testemunhas e análises preliminares da cena permitiram à polícia reconstruir a dinâmica do acidente.

De acordo com a investigação, Ruan atravessava a faixa de pedestres caminhando ao lado da bicicleta. Ele já estava próximo do fim da travessia quando o sinal abriu para os veículos. Nesse momento, foi atingido pelo carro que, segundo a Polícia Civil, vinha em excesso de velocidade.

Conforme a PC, o ciclista estava atravessando a faixa de pedestres, caminhando ao lado de sua bicicleta, e ao chegar ao final da travessia, enquanto os veículos aguardavam o sinal fechar, o sinal abriu e ele finalizava a travessia, quando foi surpreendido por um veículo que vinha em excesso de velocidade.

Ruan foi socorrido e levado ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Motorista disse que não viu adolescente

Em boletim de ocorrência registrado na madrugada do dia 26, cerca de três horas após o atropelamento, o motorista Niraldo Paulo Marcelino afirmou que o trecho estava escuro e que não teria visto o adolescente atravessando de bicicleta.

A versão apresentada, no entanto, é confrontada pela reconstrução feita pela Polícia Civil, que aponta que Ruan estava na faixa de pedestres no momento em que foi atingido.

Segundo a polícia, Niraldo ainda não foi ouvido formalmente. O delegado informou que o condutor deverá ser interrogado somente após a conclusão das oitivas das testemunhas e a reunião de outros elementos considerados importantes para o inquérito.

Polícia investiga falhas no atendimento

Além da conduta do motorista, a Polícia Civil passou a apurar possíveis irregularidades no atendimento inicial da ocorrência. Segundo o delegado, há inconsistências nos primeiros procedimentos realizados no local, incluindo a ausência de isolamento adequado da área.

A investigação também busca esclarecer como o motorista se apresentou às autoridades e por que não houve autuação em flagrante na data do acidente.

Os investigadores solicitaram imagens de câmeras de segurança de estabelecimentos localizados nas proximidades do atropelamento e também da Central de Flagrantes. A polícia pretende usar as imagens para esclarecer a dinâmica do acidente e verificar as circunstâncias da apresentação do motorista.

Testemunhas também relataram ter visto homens armados em veículos descaracterizados no local da tragédia. A Polícia Civil tenta identificar essas pessoas e entender qual era a relação delas com a ocorrência.

O motorista e uma passageira que estava no carro foram encaminhados à Central de Flagrantes pela Polícia Militar. Os dois não ficaram feridos.

Família pede justiça

Ruan foi velado na quinta-feira (27), em Palmeira dos Índios, no interior de Alagoas. Familiares e amigos prestaram homenagens ao adolescente e fizeram pedidos de justiça.

O pai de Ruan, o lutador de MMA e atleta de jiu-jitsu Pedro Wilson, relembrou os últimos momentos que passou com o filho antes do atropelamento. Segundo ele, os dois treinaram juntos no dia da morte.

“Eu estava com ele. Treinamos musculação juntos, levei ele em casa, ele trocou de roupa, comemos em uma padaria e deixei ele na aula de matemática. Às 20h15, ele já estava na casa da mãe dele. Ele pediu à mãe para dar uma volta de bicicleta”, contou.

A Polícia Civil continua reunindo provas para esclarecer as circunstâncias do atropelamento e definir as responsabilidades pelo caso.