O afundamento do solo provocado pela mineração em Maceió pode ter causado um prejuízo de R$ 39,84 bilhões à União. A estimativa consta em um laudo da Polícia Federal que aponta a perda de reservas de sal-gema que não poderão mais ser exploradas após o comprometimento das minas. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo.
Segundo a perícia, concluída em 2025, aproximadamente 121,9 milhões de toneladas do minério permaneceram no subsolo, mas ficaram inviáveis para exploração. O volume foi avaliado em US$ 7,19 bilhões, equivalente ao valor em reais calculado com a cotação adotada no documento.
Como os recursos minerais pertencem à União, a impossibilidade de aproveitar a jazida representa, segundo a investigação, uma perda ao patrimônio público. O laudo integra o conjunto de documentos utilizados pelo Ministério Público Federal para apurar a atuação da Braskem no desastre.
A investigação aponta que a exploração teria ocorrido em desacordo com o planejamento previsto para as minas, prática classificada como “lavra ambiciosa”. A suspeita é que a atividade tenha comprometido tanto a segurança das áreas atingidas quanto a capacidade de aproveitamento das reservas restantes.
A fiscalização da atividade também aparece entre os pontos questionados. Conforme a reportagem, outro laudo indica que o órgão regulador tinha conhecimento de irregularidades na exploração desde 1988. O Ministério Público também aponta suspeitas de alterações em documentos técnicos relacionados à estabilidade das cavernas.
A Agência Nacional de Mineração afirma que realizou fiscalizações, aplicou autuações e cobrou estudos sobre as cavidades e o monitoramento do afundamento do solo.
A Braskem contesta a acusação de exploração irregular e não reconhece o valor apontado pela perícia. A empresa sustenta que a atividade seguiu as normas do setor e ocorreu com licenciamento e fiscalização dos órgãos responsáveis.
Em outubro de 2025, o Ministério Público Federal informou oficialmente ter apresentado denúncia contra a petroquímica e 15 pessoas. Em junho deste ano, a Justiça Federal em Alagoas recebeu parcialmente a denúncia, permitindo o prosseguimento da ação penal contra a empresa e outros acusados. Algumas condutas foram consideradas prescritas.
O afundamento do solo atingiu os bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol. Dados oficiais apontam que aproximadamente 60 mil pessoas precisaram deixar seus imóveis em razão do desastre.
