A Braskem apresentou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas estimadas em aproximadamente R$ 54 bilhões. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (24) pela CNN Money e pelo InfoMoney.

A medida ocorre no dia em que termina o prazo de 60 dias de proteção contra cobranças de credores obtido pela petroquímica em junho. A companhia tenta reorganizar obrigações financeiras que ultrapassam US$ 10 bilhões e envolvem operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com os credores e apresente posteriormente um acordo à Justiça. A estrutura em discussão prevê um novo período de até 90 dias para a suspensão das cobranças e a negociação de um plano de reestruturação.

Segundo a CNN, os bancos exigiram garantias vinculadas a ativos da Braskem e a contratação de um empréstimo de US$ 700 milhões. A companhia não aceitou o novo financiamento.

Conforme informações divulgadas pelo InfoMoney, os credores rejeitaram uma proposta que previa carência de cinco anos para o pagamento do valor principal da dívida e de dois anos e meio para os juros.

A Braskem é controlada pela gestora IG4 Capital e pela Petrobras. As negociações ocorrem em meio à queda das margens do setor petroquímico e ao aumento da pressão sobre as contas da empresa.

Desastre em Maceió agravou situação financeira

As obrigações relacionadas ao afundamento do solo em Maceió também contribuíram para o agravamento da situação financeira da companhia.

O desastre provocado pela exploração de sal-gema atingiu cinco bairros da capital alagoana e afetou aproximadamente 60 mil pessoas. Milhares de moradores precisaram deixar suas casas por causa da instabilidade do solo.

A empresa acumula despesas com indenizações, acordos e medidas de reparação pelos danos provocados na cidade.

Além da negociação no Brasil, a Braskem Idesa, ligada às operações da companhia no México, apresentou um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos em 18 de agosto.