“Eu só peço a Deus e a vocês que a justiça seja feita.” Aos prantos, Maria Aparecida dos Santos encerrou o depoimento prestado nesta terça-feira (18), durante o júri de Victor Emanuel Silva de Souza, acusado de envolvimento na morte da neta dela, de 9 anos, em Branquinha. 

A sessão ocorre no Fórum Ministro Pedro da Rocha Acioly, em Murici, e deve prosseguir até o fim da tarde. O réu responde por homicídio qualificado, estupro de vulnerável, ocultação de cadáver e corrupção de menor.

Ao responder às perguntas da promotora de Justiça Ilda Regina Reis, a avó reconstruiu os últimos momentos em que viu a menina antes do desaparecimento, em 21 de janeiro de 2025.

“Ela estava brincando na esquina onde era acostumada a brincar. Eu fui para o trabalho. Na outra rua, indo para o trabalho, avistei o menor e disse para Cecília ir para casa. A criança fez que ia para casa, mas não foi e retornou”, relatou.

O adolescente citado por Maria Aparecida também foi responsabilizado pelo caso. Ele cumpre medida socioeducativa de internação por três anos, em razão de atos infracionais análogos aos crimes de homicídio e estupro.

A avó contou que trabalha com coleta de materiais recicláveis e percebeu a ausência da neta ao retornar para casa, por volta das 16h. “Quando fiz minha coleta, levei o material para a cooperativa e, na volta, sentimos falta dela. O corpo só foi encontrado oito dias depois”, afirmou.

Segundo Maria Aparecida, familiares percorreram as casas das colegas da criança e procuraram ajuda no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp). Moradores e equipes do Corpo de Bombeiros também participaram das buscas.

“No mesmo dia, procuramos por ela até perto de meia-noite”, disse. Conforme o depoimento, o adolescente chegou a ajudar a família nas buscas durante o primeiro dia do desaparecimento.

A avó afirmou que nunca havia percebido contato entre a neta e o adolescente. Segundo ela, as crianças da comunidade costumavam brincar na rua, mas o jovem não era visto com a menina nem com os outros netos. “Era uma menina tranquila, ia para a igreja, para a escola”, declarou.

Acusação aponta quatro crimes

Victor Emanuel Silva de Souza começou a ser julgado às 9h desta terça-feira. A acusação é conduzida pela promotora Ilda Regina Reis, da Promotoria de Justiça de Murici.

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) busca a condenação do réu por homicídio qualificado, estupro de vulnerável, ocultação de cadáver e corrupção de menor. A última acusação está relacionada à participação do adolescente nos crimes.

Na denúncia de homicídio, o MPAL aponta quatro qualificadoras: emprego de meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima, crime praticado contra menor de 14 anos e ocultação para assegurar a impunidade de outro delito.

Quando Victor Emanuel foi localizado e detido, em janeiro de 2025, moradores de Branquinha realizaram um protesto e ameaçaram invadir o Cisp do município. O acusado precisou ser transferido sob um esquema de segurança para evitar uma tentativa de linchamento.