A Polícia Civil de Alagoas concluiu o inquérito que investigou a intoxicação coletiva registrada durante uma feira livre em Pariconha, no Alto Sertão, após o consumo de uma bebida conhecida como “Rapa de Pau”. A proprietária da barraca onde a bebida era comercializada foi indiciada por homicídio culposo pela morte de Gilberto Alves Vicente, de 36 anos, e por lesão corporal culposa em relação às outras seis vítimas.
O caso ganhou novos elementos após o laudo da Polícia Científica confirmar a presença do inseticida metomil na “raizada” e em amostras biológicas de sobreviventes da intoxicação. A substância também já havia sido identificada no organismo de Gilberto, que morreu após passar mal durante a feira livre.

Segundo a Polícia Civil, a mulher indiciada tem 41 anos e era responsável pela comercialização da bebida consumida pelas vítimas. O inquérito foi conduzido pelo 33º Distrito Policial de Pariconha, sob coordenação do delegado Eduardo Marques.
Ao todo, sete pessoas foram intoxicadas. Além de Gilberto, os demais atingidos são homens com idades entre 34 e 70 anos, que precisaram de atendimento médico após apresentarem sintomas compatíveis com intoxicação.
Durante a investigação, todas as pessoas envolvidas foram ouvidas e os materiais recolhidos passaram por análise pericial. De acordo com os exames do Instituto de Criminalística (IC), o metomil foi encontrado na garrafa PET que armazenava a bebida artesanal consumida pelas vítimas.
A perícia apontou ainda que o inseticida não estava presente nas garrafas originais de cachaça analisadas, mas apenas na mistura artesanal preparada e armazenada no recipiente PET.
O metomil é um inseticida agrícola de alta toxicidade, pertencente ao grupo dos carbamatos, que pode provocar intoxicação grave, alterações no sistema nervoso e levar à morte em casos severos.

Com a conclusão do inquérito, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público de Alagoas (MPAL), responsável pela análise dos elementos reunidos e pela adoção das medidas cabíveis. O indiciamento representa a conclusão da investigação policial e não significa condenação antecipada da investigada.
