Além do combate ao desabastecimento, a qualidade nutricional do alimento oferecido às populações em situação de vulnerabilidade entrou no centro do debate sobre segurança alimentar na capital alagoana.
Uma resolução do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Maceió (Consea), publicada na edição do Diário Oficial do Município desta quinta-feira (06), articulou diretrizes para eliminar produtos ultraprocessados que tragam o selo de advertência da Anvisa das merendas escolares e das cestas básicas distribuídas na capital.
A medida reflete uma mudança de paradigma resumida na premissa do próprio conselho: "A fome não é só ausência de comida, é consumo de alimentos que adoecem".
O foco central é impedir que itens com altos teores de açúcares adicionados, gorduras saturadas ou sódio, identificados pela chamada "lupa" nos rótulos de embalagens, continuem integrando os programas de assistência social e alimentação escolar do governo local.
Mudança na cesta e na merenda
O movimento do Consea aponta para a substituição gradativa de embutidos, enlatados, temperos industrializados e bebidas adoçadas por comida de verdade, priorizando gêneros in natura e minimamente processados da agricultura familiar local.
Para especialistas do setor, o acesso à alimentação de baixo valor nutricional entre comunidades periféricas cria um ciclo de agravamento da saúde pública, elevando taxas de hipertensão, diabetes e obesidade em famílias dependentes da rede socioassistencial.
A reformulação nos critérios de compras públicas municipais busca garantir que o apoio do Estado ofereça nutrição efetiva, e não apenas calorias vazias.
Com a consolidação da nova diretriz, os editais de licitação da Prefeitura de Maceió destinados à aquisição de merenda e suprimentos de emergência alimentar deverão passar por adequações para exigir maior padrão sanitário e nutricional dos fornecedores.
Foto de capa: Reprodução
