Fiscalizar o Hospital Geral do Estado (HGE) não é favor nem provocação política. É obrigação. O maior hospital de urgência e emergência de Alagoas não pode conviver com mofo, fiação exposta, infiltrações, equipamentos deteriorados e falta de enxoval sem que os órgãos responsáveis cobrem providências.

Esses foram alguns dos problemas identificados pela Vigilância Sanitária de Maceió durante uma inspeção realizada nos dias 9 e 10 de julho. O hospital foi notificado e recebeu prazo de 30 dias para promover as adequações. Não houve, naquele momento, interdição da unidade ou confirmação de fechamento da lavanderia.  

A cobrança é necessária. O problema começa quando uma ação sanitária passa a ser absorvida pelo ambiente de confronto entre Município e Estado, com aliados dos dois lados mais interessados em explorar politicamente o episódio do que em apresentar soluções.

Nos bastidores, a possibilidade de interdição da lavanderia acendeu o alerta na rede estadual. Até agora, porém, não há confirmação pública de que o setor tenha sido fechado. E essa distinção importa: uma coisa é cobrar a correção das irregularidades; outra é afirmar que um serviço essencial foi interrompido.

Uma eventual paralisação, sem plano de contingência, poderia afetar o fornecimento de lençóis, roupas de pacientes, aventais, campos cirúrgicos e outros itens utilizados diariamente.  

A própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária considera o processamento dessas peças uma atividade de apoio com impacto direto na qualidade da assistência, na segurança e no conforto de pacientes e profissionais.

Isso não significa defender o funcionamento de um setor em condições inadequadas. Significa reconhecer que uma medida dessa dimensão precisa vir acompanhada de alternativa imediata para o processamento do enxoval. Sem essa logística, cirurgias, internações, UTIs e atendimentos de urgência podem ser comprometidos.

O dever da Vigilância Sanitária é fiscalizar e exigir adequações. A obrigação do Governo do Estado é corrigir os problemas e garantir condições dignas de atendimento. Nenhum dos dois lados pode usar suas responsabilidades como instrumento de propaganda ou retaliação.

Em ano eleitoral, cada fiscalização corre o risco de virar munição, e cada cobrança, de ser tratada como perseguição. É justamente aí que o interesse público precisa prevalecer.

O HGE não pertence ao Governo do Estado nem à Prefeitura de Maceió. Pertence à população que depende dele. Se a disputa política ultrapassar esse limite, a conta não será paga por prefeito, governador ou secretário. Será entregue ao paciente na porta da emergência.