Uma operação integrada das polícias Civil e Militar de Alagoas, coordenada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (22) em Maceió e Pilar para desarticular uma organização criminosa especializada na venda de drogas sintéticas e de "maconha gourmet". Batizada de Operação Rateio, a ação teve como foco o cumprimento de mandados judiciais contra suspeitos que comercializavam entorpecentes principalmente nas proximidades de festas eletrônicas e grandes eventos.

As investigações, conduzidas ao longo de cerca de oito meses, apontaram que o grupo utilizava um sistema de "rateio" para adquirir grandes quantidades de drogas diretamente com fornecedores. Segundo a Polícia Civil, os integrantes dividiam os custos das compras em cotas, reduzindo o valor investido individualmente e aumentando o lucro obtido com a revenda.

Ao todo, a Justiça expediu 18 ordens judiciais, sendo oito mandados de prisão, um mandado cautelar e nove de busca e apreensão.

Em entrevista à TV Pajuçara, o delegado Igor Diego informou que, até o momento, quatro pessoas haviam sido presas em cumprimento aos mandados.

Além dessas prisões, outras duas pessoas foram autuadas em flagrante após policiais encontrarem comprimidos de ecstasy e cartelas de LSD escondidos em suas residências. As equipes continuam em diligências para localizar outros quatro investigados que permanecem foragidos.

Os suspeitos responderão pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, previstos nos artigos 33 e 35 da Lei nº 11.343/2006. Conforme a investigação, a organização atuava de forma estruturada, com divisão de funções entre seus integrantes para a comercialização de drogas de alto valor no mercado ilegal, o que pode resultar em penas superiores a 15 anos de prisão.

"Maconha gourmet" preocupa autoridades

Durante a operação, a apreensão da chamada "maconha gourmet" também chamou a atenção das autoridades. O termo é utilizado para designar variedades da planta desenvolvidas por meio de seleção genética ou cultivo controlado, com concentrações muito mais elevadas de tetrahidrocanabinol (THC), principal substância psicoativa da cannabis.

Segundo o delegado Igor Diego, esse tipo de droga apresenta um potencial de dependência significativamente maior. "Ela tem um potencial dez vezes maior de causar dependência do que a maconha comum", afirmou.

Drogas sintéticas oferecem alto risco

As autoridades também alertam para os perigos do consumo de drogas sintéticas, como LSD e ecstasy. Essas substâncias agem diretamente sobre o sistema nervoso central e podem provocar efeitos graves, incluindo surtos psicóticos, alterações cardíacas, hipertermia — caracterizada pela elevação excessiva da temperatura corporal — e até overdose, mesmo quando consumidas em pequenas quantidades.