Enquanto o avanço do ensino público no Brasil esbarra no lamento legítimo de reitores diante do sufocamento orçamentário imposto às universidades públicas federais, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) mantém seu compromisso com inovação e alta relevância social, ao iniciar, no final deste mês de julho, as aulas de sua 1ª turma do curso de Bacharelado em Inteligência Artificial (IA).
O curso de graduação com duração de 4 anos e meio iniciará com os seus primeiros 40 alunos no dia 27 de julho, contrariando prognósticos mais pessimistas e as asfixias financeiras recorrentes impostas às universidades pelos cortes de recursos do governo federal. O bacharelado em IA deverá formar 80 estudantes por ano, no curso noturno.
Para o reitor Josealdo Tonholo, um dos responsáveis pela consolidação deste curso de Inteligência Artificial da Ufal, a iniciativa é um marco disruptivo para Alagoas, um salto que coloca o estado entre os protagonistas do desenvolvimento tecnológico contemporâneo internacional.
"Mais do que um movimento técnico, este novo curso é uma resposta estratégica da Ufal aos desafios do momento, apesar das limitações orçamentárias que tentam, mas não vão conseguir, nos limitar. A universidade não se abala e reage com proatividade. Vamos garantir que a IA em Alagoas não seja apenas um produto de mercado, mas um motor de transformação social, capacitando nossos estudantes para liderar a inovação, para que a tecnologia sirva, de fato, à melhor qualidade de vida dos alagoanos", ressaltou o reitor da Ufal.
Vitória impactante
Um dos idealizadores do projeto e liderança inconteste na área, o professor Evandro Costa, do Instituto de Computação da Ufal, exalta o sentimento de vitória da comunidade acadêmica, ao destacar o impacto profundo do novo curso e a condução política da reitoria. E lembra que o curso nasce em sintonia com o Programa Brasil de Inteligência Artificial (PBIA).
“A área está se expandindo de maneira impressionante e há apenas cerca de meia dúzia de cursos de bacharelado em IA no Brasil, sem ter profissional disponível no mercado para assumir as demandas. E o aluno da Ufal vai ser preparado com um conhecimento sólido em inteligência artificial, para este mercado crescente das diversas tecnologias que evoluem com a IA”, ressaltou Evandro Costa.
Costa confirma a postura de sensibilidade institucional e de obstinação do reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, que blindou o projeto técnico e garantiu que o ensino público alagoano não ficasse à margem do futuro, garantindo ao menos 9 vagas para novos professores, mesmo diante dos severos desafios econômicos enfrentados.
“O Governo Federal teve que fazer um aporte, principalmente de vagas para contratação, porque, de outra forma, a gente não iria adiante. Foi muito importante o apoio do reitor, que estava o tempo todo lá em contato com o MEC [Ministério da Educação], cobrando. Foi fundamental ele ter gastado suas energias para fazer as coisas andarem”, destacou Evandro Costa.
Marco histórico
A criação do curso, sacramentada em novembro do ano passado pela Resolução nº 130/2025 do Conselho Superior Universitário (Consuni), não é apenas uma vitória burocrática; é o marco definitivo de que o ensino superior alagoano se recusa a ficar para trás na corrida tecnológica global.
A Ufal já figurava em posição de destaque nacional, sendo reconhecida como a universidade mais citada no Programa Brasil de Inteligência Artificial (PBIA) em decorrência de seus robustos projetos inovadores. Agora, formaliza essa vocação com uma graduação pioneira.
E a articulação política de alto nível e visão estratégica por parte da gestão central contou com o papel do reitor Josealdo Tonholo, que garantiu a viabilidade da proposta junto aos órgãos colegiados e capitanear o fortalecimento dos laboratórios e grupos de pesquisa de excelência. Alagoas foi colocada no centro do debate sobre tecnologias emergentes, nesta conquista para o ensino superior público nacional e do estado, que abre caminhos para que jovens locais tenham acesso gratuito ao que há de mais moderno no planeta.
"Esta é uma vitória da Ufal, dos docentes e técnicos que são os responsáveis por esta conquista e por fazer a Ufal jamais recuar. Principalmente, uma vitória para nossos atuais e futuros estudantes, que são a verdadeira razão de existirmos enquanto instituição. Parabéns aos docentes, estudantes e técnicos do Instituto de Computação e demais unidades acadêmicas envolvidas nesta graduação pioneira e fundamental para o avanço de Alagoas e do Brasil", reforçou Tonholo.
O início das aulas neste mês de julho não é apenas o começo de um novo calendário acadêmico para uma turma de calouros; é uma demonstração cabal de que a inteligência humana e artificial supera qualquer barreira orçamentária para entregar desenvolvimento real à população.
