As investigações da Polícia Civil de Alagoas para localizar Victor Bruno da Silva Santos, conhecido como "Vitinho", acabaram revelando um suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro, fraudes fiscais e organização criminosa que, segundo a corporação, era liderado pelo pai do investigado. De acordo com a Polícia Civil, o grupo teria movimentado mais de R$ 300 milhões nos últimos quatro anos e parte dessa estrutura financeira teria sido utilizada para manter o jovem escondido enquanto permanecia foragido da Justiça.

As informações foram apresentadas na noite desta sexta-feira (10), durante entrevista coletiva concedida pelo delegado José Carlos, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), após a prisão de Victor Bruno, investigado por dopar, estuprar e agredir Maria Daniela Ferreira Alves, em Coité do Nóia.

Segundo o delegado, a investigação teve início a partir de relatórios produzidos pela Delegacia de Capturas (Deic), responsável pelas diligências para localizar o suspeito. Diante das dificuldades para encontrá-lo, foi instaurado um inquérito para rastrear a origem dos recursos que poderiam estar financiando a fuga.

Com autorização judicial, a Polícia Civil analisou movimentações bancárias e identificou valores considerados incompatíveis com a atividade declarada pelos investigados. Conforme José Carlos, apenas o pai de Victor Bruno teria movimentado cerca de R$ 150 milhões em quatro anos. Já o grupo investigado, formado por aproximadamente seis pessoas físicas e jurídicas, teria movimentado mais de R$ 300 milhões no mesmo período.

De acordo com a investigação, os envolvidos utilizavam contas de terceiros, apontados como "laranjas", para movimentar recursos de empresas. A polícia também identificou que duas empresas ligadas ao grupo recolhiam valores considerados baixos em tributos, apesar de movimentarem cifras milionárias.

Além de responder pela investigação relacionada ao estupro, Victor Bruno também passou a ser investigado por suposta participação nos crimes de lavagem de dinheiro, fraude e sonegação fiscal. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que a estrutura criminosa tenha sido utilizada para garantir apoio financeiro e logístico ao investigado durante o período em que permaneceu foragido.

Durante a operação deflagrada nesta sexta-feira, foram cumpridos mandados em sete endereços ligados aos investigados. Os policiais apreenderam documentos, aparelhos celulares, computadores, dois veículos e cerca de R$ 90 mil em dinheiro. A Justiça também foi acionada para determinar o bloqueio de valores vinculados aos investigados.

Segundo o delegado José Carlos, o objetivo da operação foi interromper o esquema financeiro investigado e impedir que novos recursos fossem utilizados para a prática de crimes ou para dar suporte ao investigado.

O caso

Victor Bruno da Silva Santos é investigado por dopar, estuprar, agredir e tentar matar Maria Daniela Ferreira Alves, de 19 anos, após uma confraternização escolar realizada em uma chácara da família dele, na zona rural de Coité do Nóia, em 6 de dezembro de 2024.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, a vítima foi atraída ao local pelo investigado, dopada com medicamentos de efeito sedativo e submetida a violência sexual e agressões físicas. A jovem também teria sido vítima de asfixia, o que provocou graves lesões neurológicas.

Exames toxicológicos identificaram no organismo de Maria Daniela substâncias de uso controlado frequentemente associadas à sedação de vítimas em crimes sexuais. Laudos médicos anexados ao processo apontam que ela sofreu traumatismo craniano, permaneceu cinco dias em coma e ficou com sequelas neurológicas e motoras permanentes. A vítima também foi diagnosticada com estresse pós-traumático, síndrome do pânico, ansiedade e depressão, necessitando de acompanhamento médico contínuo.

 

*Foto: Reprodução / Redes Sociais