As duas principais candidaturas ao Governo de Alagoas entram na disputa carregando força política, estrutura, aliados e competitividade. Mas existe um fator que, embora pouco debatido em público, domina boa parte das conversas de bastidores. O problema não está necessariamente nos candidatos. Está no entorno que os acompanha. Na política, tão importante quanto quem ocupa a cadeira é quem passa a ter acesso a ela. E, convenhamos, há certos “assessores” e “coordenadores” que conseguem gerar mais apreensão do que a própria oposição.

É curioso observar como prefeitos, deputados, empresários e lideranças fazem questão de aparecer nas fotos, publicar declarações de apoio e participar dos eventos. A imagem transmitida é de unidade absoluta. Mas, longe das câmeras, a conversa muda completamente. O receio não é sobre o resultado da eleição, mas sobre quem poderá acumular influência, ocupar espaços estratégicos e transformar o governo em território de determinados grupos ou personagens que despertam mais desconfiança do que confiança.

E é justamente aí que mora o perigo. Ninguém rompe publicamente. Ninguém cria crise. Todos continuam sorrindo para a fotografia. Mas a política conhece bem esse comportamento: o apoio permanece na superfície, enquanto o entusiasmo desaparece nos bastidores. Faz-se a selfie, grava-se o vídeo, publica-se nas redes sociais, mas, na hora de convencer eleitores, mobilizar lideranças e colocar a campanha para funcionar de verdade, muitos simplesmente reduzem o ritmo. Não por rejeição ao candidato, mas pelo temor de quem pode chegar ao poder junto com ele.

Toda eleição possui um calcanhar de Aquiles. Em Alagoas, ele pode não estar no discurso, na estratégia ou nas pesquisas. Pode estar exatamente ao lado de quem disputa o governo. Ignorar esse sinal é um erro que costuma custar caro. Porque, quando a classe política começa a apoiar apenas por conveniência e deixa de apoiar por convicção, o risco de uma campanha perder força sem perceber aumenta a cada dia. E, quando esse tipo de desgaste finalmente aparece, quase sempre já é tarde demais para corrigi-lo.