As mortes do empresário Paulo César Farias, conhecido como PC Farias, e de Suzana Marcolino completam 30 anos nesta terça-feira (23). Três décadas depois, o caso continua cercado por controvérsias, versões divergentes e sem qualquer condenado.
O casal foi encontrado morto em 23 de junho de 1996, em uma casa de praia em Guaxuma, litoral norte de Maceió. O episódio rapidamente ganhou repercussão nacional por envolver um dos principais personagens dos escândalos políticos da década de 1990.
Ex-tesoureiro da campanha presidencial de Fernando Collor em 1989, PC Farias estava no centro de investigações por corrupção e cumpria liberdade condicional quando morreu. Na época, também era aguardado para prestar novos esclarecimentos à CPI das Empreiteiras.
A primeira linha de investigação apontou que Suzana teria matado o empresário e, em seguida, cometido suicídio. Com o passar dos anos, porém, novas perícias e análises contestaram essa versão e fortaleceram a hipótese de duplo homicídio.
O inquérito foi reaberto em 1999 e passou a reunir elementos que indicavam que as duas mortes poderiam ter sido provocadas por terceiros. As divergências entre laudos e especialistas mantiveram o caso em debate por anos.
Em 2013, os quatro seguranças que trabalhavam na residência foram julgados. Os jurados acolheram a tese de que Suzana não matou PC Farias nem tirou a própria vida, mas absolveram os acusados. Com recursos rejeitados posteriormente, o processo foi encerrado em 2019 sem a identificação dos responsáveis pelas mortes.
Mesmo após o fim da ação judicial, o caso segue despertando interesse público e voltou a ganhar visibilidade com documentários e produções audiovisuais sobre a trajetória de PC Farias e os bastidores do governo Collor. Entre elas está o documentário "Morcego Negro", lançado em 2023, além de um filme sobre o empresário que está em produção.
