O estado de Alagoas registrou o total de cinco casos de suicídio entre profissionais das forças de segurança pública ao longo do ano de 2025. Os dados foram publicados na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (23).
Os dados estatísticos foram compilados e divulgados pelas instituições pelo Núcleo de Estatística Aplicada da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).
A publicação do Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg) ratificou a aprovação integral do Relatório de Gestão de 2025 apresentado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL).
A decisão, unânime e publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (23), valida a prestação de contas dos recursos federais repassados na modalidade fundo a fundo por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP).
Ele evidencia a recorrência de episódios envolvendo servidores da ativa ou da reserva das corporações no território estadual.
Os registros englobam profissionais que atuavam em diferentes ramos da segurança e que enfrentavam quadros de sofrimento psíquico.
De acordo com os dados, entre os casos de suicídio, foram registradas, dois casos na Polícia Militar de Alagoas, dois casos no Corpo de Bombeiros Militar e um na Polícia Penal.
O número acende o alerta das autoridades institucionais e dos representantes de classe para a necessidade de fortalecimento e ampliação das políticas de assistência psicológica voltadas especificamente para a categoria, que lida diariamente com altos índices de estresse e pressão operacional.
Atualmente, as corporações de segurança em Alagoas, como a Polícia Militar e a Polícia Civil, contam com núcleos internos de assistência biopsicossocial.
No entanto, o volume de ocorrências registradas em 2025 aponta para a demanda de busca ativa e desestigmatização do atendimento mental dentro dos quartéis e delegacias, garantindo o suporte precoce aos agentes em risco.
O monitoramento dessas ocorrências é realizado pelos setores de recursos humanos e de saúde das respectivas instituições policiais e de salvamento, que buscam traçar perfis epidemiológicos para aperfeiçoar os mecanismos de prevenção e o acolhimento institucional de servidores diagnosticados com depressão, ansiedade e outros transtornos.
O acordão
Os dados detalhados do acórdão apontam disparidades na execução orçamentária entre as diferentes áreas temáticas da segurança em Alagoas.
Enquanto os planos de policiamento comunitário e modernização institucional (Planos ECV 2019 e 2020) atingiram índices de execução de 98,9% e 99% de suas metas gerais de resultado, os eixos voltados ao Enfrentamento à Violência contra a Mulher (EVM) registraram as menores marcas, acumulando 28% de execução no plano de 2023 e apenas 5,8% no cronograma de 2024.
De acordo com a justificativa técnica integrada ao relatório, o desempenho inferior a 50% nas ações de combate à violência de gênero decorre da complexidade estrutural dos fenômenos sociais que envolvem o feminicídio. O documento também registrou baixo índice (0,3%) no plano de melhoria da qualidade de vida dos profissionais de segurança em 2023, motivado por entraves contratuais, atrasos logísticos e impactos residuais de mobilização de pessoal.
Em contrapartida, as verbas federais aplicadas permitiram a aquisição consolidada de coletes balísticos, armamentos de menor potencial ofensivo, viaturas para bases comunitárias, sistemas de inteligência e ampliação do patrulhamento da Ronda Escolar (Plano PNSE 2023, com 60,2% de execução).
O Conseg informou que itens como fuzis de alta precisão, insumos para laudos da Polícia Científica e munições para a Polícia Civil permanecem em fase de aquisição de insumos, sem prejuízo ao cumprimento dos pactos financeiros com a União.
