Esta ativista, Arísia Barros, coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas, teve uma boa conversa , no Arraiá da Boa Vontade, da Legião da Boa Vontade, na tarde da quarta-feira, 17 de junho, com o público do Grupo Vida Plena, pessoas com 60+e uma energia de dar gosto.
E de início, já foi inquirindo quem se percebia pessoa velha, na platéia. o silenciamento foi geral. Diria até que houve um certo constrangimento.
Para aquecer a conversa, esta ativista relatou sobre um diálogo, em Brasília.
Contou que conheceu ,um cabra bem apessoado, branco , em um dialogo alheiatório;- Está vendo meus cabelos? Todo mundo diz que são bonitos cabelos grisalhos, mas, eu digo que são brancos, porque falam da minha idade. Eu sou velho. Enfatizou.
E é interessante- continua o cabra- Quando digo que sou velho, muita gente estranha, dizendo que não é bem assim, afirmando que, ainda, estou jovem.
Ora- refletiu ele- pelas minhas vivências, sei que sou velho , e, se eu nego minha idade,, como é costume geral, quem vai assumir esse lugar?
Quem vai lutar pelos meus/seus/nossos/ direitos de velho?
O público vibrou com a história, aplaudiu e a conversa fluiu.
Abrimos espaços para uma discussão primeira sobre significados entre as expressões ‘pessoa velha’ e ‘pessoa idosa’.
Para esta ativista a palavra velha é bem bonita, potente, evoca acúmulo de experiências, ancestralidade, tipo biblioteca viva.
Não gosto de ‘pessoa idosa’.
E reafirmou o que diz sua mãe de 94 anos, ocupando espaços: Sou velha, mas não estou gagá
Foi uma conversa agradabilíssima, repleta de vozes falantes, animadíssimas , redescobrindo e ressignificando a coisa do ter uma identidade própria, que merece respeito e o direito de ter direitos.
A carioca Ana Carmem., de 73 anos, que já exerceu o cargo de secretária executiva, propôs:-Você deveria organizar um grupo com a gente, para ir à Câmara de Vereadores e cobrar nossos direitos.
Esta ativista adorou a proposta. Tinha sabor de revolução.
E a Nilda Alves, de 62 anos, que fez o motorista do ônibus ir à Delegacia , porque uma jovem não cedeu o lugar no ônibus, e, ainda tripudiou da sua idade, falou em resistência.
Rosa Parks, ativista negra, norte americana dos direitos civis ?
Convidada pela psicóloga Fernanda Santos e Arivaldo Oliveira, gestor administrativo da LBV, esta ativista, Arísia Barros, conheceu o público do grupo Vida Plena da LBV ( mulheres e homens) e adorou.
Quando Jó Pereira, uma das apoiadoras do Instituto Raízes de Áfricas, perguntou como foi o encontro, resumi a conversa ao afirmar ‘gente velha, no passo das músicas juninas, é outro papo!’
Ela riu.










