Os avanços da oncologia têm ampliado as possibilidades de tratamento para pacientes com câncer de mama e mudado o cenário de doenças que, até poucos anos atrás, apresentavam opções mais limitadas de controle. Entre as novidades que vêm ganhando destaque está a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de uma nova indicação para o trastuzumabe deruxtecano, terapia direcionada para pacientes com câncer de mama HER2 positivo metastático, subtipo historicamente associado a maior agressividade e pior prognóstico.
Segundo a oncologista da Santa Casa de Maceió, Fabrísia Coutinho, o câncer de mama não é uma doença única. Hoje, o tratamento é definido a partir das características biológicas de cada tumor, permitindo abordagens cada vez mais individualizadas.
Exames específicos identificam marcadores presentes nas células tumorais e ajudam a direcionar o tratamento mais adequado para cada paciente. Entre esses marcadores está o HER2, proteína que, quando presente em excesso, favorece o crescimento das células cancerígenas e exige estratégias terapêuticas específicas.
“Cada vez mais entendemos que o câncer de mama precisa ser tratado de forma personalizada. Conhecer o perfil molecular do tumor permite oferecer terapias direcionadas e melhores resultados”, explica a especialista.
No caso dos tumores HER2 positivos, a evolução dos tratamentos mudou significativamente o curso da doença ao longo dos últimos anos. O que antes estava associado a uma progressão mais agressiva hoje já apresenta possibilidades maiores de controle, aumento da sobrevida e preservação da qualidade de vida.
Entre os resultados mais recentes, estudos internacionais demonstraram ganho importante no controle da doença em pacientes com câncer de mama metastático, com aumento expressivo do tempo sem progressão e redução do risco de agravamento e morte.
Outro diferencial da terapia está na forma como ela atua. O trastuzumabe deruxtecano integra uma nova geração de medicamentos conhecidos como anticorpos conjugados à droga (ADC), tecnologia que combina precisão e ação direcionada.
Na prática, o medicamento identifica células que apresentam o receptor HER2 e libera o tratamento diretamente nelas, reduzindo a exposição de tecidos saudáveis e contribuindo para um perfil de toxicidade mais controlado em comparação aos modelos tradicionais.
“A busca da oncologia é oferecer tratamentos mais eficazes e ao mesmo tempo menos agressivos para o paciente. Quando conseguimos controlar a doença preservando qualidade de vida, conseguimos transformar essa jornada”, destaca Fabrísia Coutinho.
Apesar dos avanços, o acesso ainda é um desafio, especialmente na rede pública, devido ao alto custo das terapias mais recentes. Na saúde suplementar, o medicamento já vem sendo utilizado em cenários específicos, enquanto especialistas e entidades médicas seguem discutindo formas de ampliar o acesso.
Para a oncologista, o ritmo acelerado das descobertas científicas tem permitido uma mudança concreta na prática clínica e ampliado as perspectivas para os pacientes. “Hoje temos mais opções, mais possibilidades de controle da doença e pacientes vivendo mais e melhor. Esse é o grande objetivo da evolução da oncologia”, conclui.
SANTA CASA 175 ANOS – Em setembro, a Santa Casa de Maceió celebra 175 anos de fundação. Consolidada como um complexo hospitalar, a instituição reúne unidades como a Santa Casa Farol e a Santa Casa Nossa Senhora da Guia, oferecendo ambulatórios, prontos atendimentos 24 horas, centro de diagnósticos, terapia intensiva, assistência em cardiologia clínica e acompanhamento pós-operatório de cirurgias cardíacas.
Aliando tradição e inovação, o hospital também se destaca pela utilização do primeiro robô cirúrgico de Alagoas. Mais informações podem ser acessadas no site da Santa Casa de Maceió.
