O termômetro político subiu neste sábado (30), na tradicional feira-livre de Marimbondo, mas o clima para o pré-candidato ao governo de Alagoas, JHC, oscilou entre o entusiasmo de sua bolha e o pragmatismo das urnas do interior. O prefeito da capital levou sua comitiva para a porta da Igreja Matriz, onde realizou um manifesto público de tom acanhado, restrito majoritariamente ao seu próprio "time" de assessores e aliados de primeira hora. E na feira, JHC chegou a tocar triângulo durante um trio de forró, dançou com Célia Rocha.
O que faltou em apelo popular de massa, sobrou em disposição performática dos aliados. O deputado federal Marx Beltrão (União Brasil) foi o destaque da coreografia política: em esforço visível para demonstrar sintonia, Beltrão dançava animadamente ao som do jingle “Que calor é esse, é JHC”, enquanto carregava nos braços uma enorme caixa de som. (abaixo)

A folia governista contou ainda com duas peças centrais da estratégia de JHC: a senadora "tampão" Eudócia Caldas (PSDB) — mãe do pré-candidato — e a ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha, cotada como a provável vice da chapa majoritária, que fez questão de dançar para o público presente.
Apesar do barulho das caixas de som, a incursão de JHC pelo interior de Alagoas expõe uma fragilidade estrutural que preocupa os estrategistas de sua campanha: a falta de densidade política junto às lideranças municipais.
Até o momento, o cenário desenhado no interior é de isolamento para o prefeito de Maceió. Mais de 80% dos prefeitos e vereadores do estado já declararam apoio aberto ao senador Renan Filho (MDB). O favoritismo do emedebista no interior não é por acaso:
- Herança Executiva: Renan Filho colhe os frutos da alta aprovação de suas duas gestões à frente do Palácio República dos Palmares.
- Capilaridade: A máquina emedebista e as emendas parlamentares consolidaram um cinturão de prefeitos aliados que JHC, até agora, não conseguiu quebrar.
O Peso da Capital: Entre o Instagram e o Escândalo do Banco Master
Se no interior o desafio é furar a bolha do MDB, na capital o problema de JHC é doméstico e financeiro. O prefeito começa a carregar o bônus e o ônus de sua própria vidraça.
Enquanto a gestão JHC em Maceió é amplamente "badalada" nas redes sociais — surfando em investimentos turísticos, eventos instagramáveis e forte marketing visual —, os bastidores da realidade fiscal da capital começam a cobrar o preço.
O principal desgaste atende pelo nome de Banco Master. A Prefeitura de Maceió aplicou mais de R$ 117 milhões procedentes do regime próprio de Previdência dos servidores municipais na referida instituição financeira. O escândalo ganhou corpo com relatórios técnicos que apontam que a possibilidade de resgatar esse investimento, hoje, é virtualmente zero.
A oposição já se articula para transformar o "buraco na previdência" no principal calcanhar de Aquiles de JHC. Para quem pretende governar o Estado, a imagem de um gestor que põe em risco a aposentadoria dos servidores da capital é um fantasma difícil de espantar com jingles e dancinhas de feira.
Conteúdo / Edmílson Teixeira
