As redes sociais viraram o verdadeiro "QG" antecipado da disputa eleitoral em Alagoas. Muito antes do horário eleitoral gratuito ou dos comícios oficiais, o termômetro digital já dá sinais claros da temperatura que vai ditar o pleito quando a campanha começar pra valer. Nesses últimos dias, o cenário que se desenha é de um embate gigante entre a consolidada estrutura emedebista e o projeto de expansão do ex-prefeito da capital.

A grande cartada dessa pré-campanha veio com a renúncia de JHC em abril passado. Respaldado por índices confortáveis de popularidade e uma gestão na Prefeitura de Maceió bem avaliada pela opinião pública, o ex-prefeito decidiu deixar o comando da capital. Trata-se de um movimento ousado: abrir mão do "certo" pelo "duvidoso" de uma disputa estadual.

A estratégia de JHC agora é furar a bolha da capital e testar seu carisma no interior alagoano. No entanto, o termômetro das redes e os relatos de bastidores apontam que o desafio fora de Maceió é complexo:

  • Receptividade Acanhada: As primeiras andanças pelo interior têm mostrado agendas visualmente menos calorosas do que o esperado para quem liderava as pesquisas na capital.
  • Lideranças de Baixo Clero: O apoio que JHC tem recebido nos municípios, em sua maioria, vem de lideranças locais que carecem de densidade eleitoral e recall popular.

Do outro lado do tabuleiro, os senadores Renan Calheiros e Renan Filho já emitiram os sinais de que a estrutura do MDB está com os motores totalmente aquecidos. O grupo governista joga com o peso do legado e a capilaridade política.

Renan Filho carrega na bagagem o portfólio de dois mandatos como governador — um projeto político que teve continuidade com o governador Paulo Dantas e que transformou a infraestrutura, a saúde e a educação do interior de Alagoas. Esse volume de entregas se traduz em apoio político real:

  • Mais de 80 Prefeituras: O MDB entra na disputa com uma base esmagadora de gestores municipais alinhados.
  • Baixas no Bloco Adversário: O poder de atração do grupo dos Renans tem quebrado barreiras partidárias. Prefeitos e prefeitas filiados ao Progressistas (PP) — partido do deputado Arthur Lira — já começam a cruzar a linha de frente para posar ao lado de Renan Filho, fragilizando a oposição.

O ex-presidente da Câmara Federal 

O fiel da balança no grupo de oposição atende pelo nome de Arthur Lira (PP). O ex-presidente da Câmara dos Deputados, que busca uma vaga ao Senado, caminha hoje ao lado de JHC. Porém, no xadrez político alagoano, as alianças são dinâmicas.

Com prefeitos do próprio PP migrando ou flertando abertamente com o governo estadual para garantir a continuidade de investimentos em suas cidades, o isolamento político de JHC no interior liga o sinal amarelo. Resta saber até quando o pragmatismo de Lira sustentará a atual composição se o termômetro das ruas não reagir.

A pré-campanha mal começou, mas a engenharia política e a guerra de narrativas nas redes mostram que o MDB entra em campo com o time escalado e forte no interior, enquanto JHC precisará de muito mais do que os "likes" da capital para unificar o estado.