O Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer até 2028, segundo estimativas recentes. O avanço da doença entre pessoas mais jovens tem chamado a atenção de especialistas e acendido um alerta para fatores relacionados ao estilo de vida, alimentação e exposição ambiental.
Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da TV Asa Branca, a oncologista da Santa Casa de Maceió, Fabrísia Coutinho, destacou que o crescimento da incidência de câncer em adultos jovens já é considerado uma realidade preocupante em diversos países.

“Até pouco tempo, o câncer era muito associado ao envelhecimento. Mas o aumento entre pacientes jovens vem crescendo de forma alarmante nas últimas décadas, especialmente em pessoas com menos de 50 anos”, alertou a especialista.
Entre os tumores mais frequentes nessa faixa etária estão os cânceres de mama, intestino, tireoide e melanoma. Dados internacionais apontam que, somente em 2022, cerca de 1,3 milhão de novos casos de câncer foram diagnosticados em adultos jovens e adolescentes em todo o mundo.
A especialista explicou que, apesar da associação frequente entre câncer precoce e hereditariedade, apenas cerca de 16% dos casos estão relacionados a fatores genéticos hereditários. A maior parte dos diagnósticos está ligada a fatores ambientais e hábitos de vida iniciados ainda na infância e adolescência.

Entre os principais fatores de risco apontados estão obesidade infantil, sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, baixa ingestão de fibras, tabagismo, uso de cigarros eletrônicos, consumo de álcool e exposição a poluentes ambientais.

“Os fatores modificáveis ainda representam a maioria dos casos. Por isso, precisamos reforçar hábitos saudáveis desde a infância”, destacou Fabrísia Coutinho.
A oncologista também chamou atenção para a importância do sono adequado, da redução do estresse e da vacinação como medidas preventivas. “Manter um sono adequado, reduzir o estresse e manter a vacinação em dia, como as vacinas contra HPV e hepatite B, ajudam a diminuir o risco de diferentes tipos de câncer”, explicou.
Outro ponto destacado pela médica é a necessidade de atenção aos sinais do corpo. Sintomas persistentes, mesmo em pacientes jovens, não devem ser ignorados e precisam ser investigados precocemente.

“Sangramentos, perda de peso sem explicação, fadiga intensa, alterações do funcionamento intestinal, nódulos na mama ou no testículo e tosse persistente precisam ser investigados. Hoje, o câncer em jovens não pode mais ser considerado raro”, afirmou.

Fabrísia Coutinho ressaltou ainda que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e permite tratamentos menos agressivos. “Quanto mais cedo o câncer é diagnosticado, maiores são as chances de sucesso no tratamento e de cura”, reforçou.
Além do tratamento médico, a oncologista destacou a importância da rede de apoio familiar e multidisciplinar, especialmente para pacientes jovens, que muitas vezes enfrentam impactos emocionais, sociais e profissionais mais intensos durante o tratamento.
“Conhecimento salva vidas. Nunca é demais reforçar hábitos saudáveis, atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento médico regular”, concluiu.
SANTA CASA 175 ANOS – Em setembro, a Santa Casa de Maceió celebra 175 anos de fundação. Consolidada como um complexo hospitalar, a instituição reúne unidades como a Santa Casa Farol e a Santa Casa Nossa Senhora da Guia, oferecendo ambulatórios, prontos atendimentos 24 horas, centro de diagnósticos, terapia intensiva, assistência em cardiologia clínica e acompanhamento pós-operatório de cirurgias cardíacas.
Aliando tradição e inovação, o hospital também se destaca pela utilização do primeiro robô cirúrgico de Alagoas. Mais informações podem ser acessadas no site da Santa Casa de Maceió: www.santacasademaceio.com.br