O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, divulgado nesta semana, revelou diferenças significativas na qualidade de vida entre os municípios brasileiros e colocou Maceió entre as capitais com pior desempenho do país no ranking nacional.

O levantamento avaliou os 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais, considerando áreas como saúde, educação, segurança, moradia, inclusão social e acesso a oportunidades. A média nacional foi de 63,40 pontos em uma escala de 0 a 100.

Entre as capitais brasileiras, Maceió alcançou 61,96 pontos e ficou na 25ª posição, à frente apenas de Macapá (AP) e Porto Velho (RO). No Nordeste, a capital alagoana também aparece entre as últimas colocadas, atrás de cidades como João Pessoa (PB), Natal (RN), Aracaju (SE), Teresina (PI), São Luís (MA) e Fortaleza (CE).

Curitiba (PR) liderou o ranking nacional das capitais, com 71,29 pontos, seguida por Brasília (DF) e São Paulo (SP).

Segurança e inclusão social seguem como desafios

O estudo mostra que os maiores gargalos do Brasil continuam concentrados na dimensão “Oportunidades”, que reúne indicadores ligados a direitos individuais, inclusão social e acesso à educação superior. Essa dimensão registrou a menor média nacional: 46,82 pontos.

Entre os componentes mais críticos estão Direitos Individuais (39,14), Inclusão Social (47,22) e Acesso à Educação Superior (45,97).

Segundo a coordenadora do IPS Brasil, Melissa Wilm, mesmo as capitais com melhor desempenho ainda enfrentam problemas graves relacionados à inclusão social.

“Apesar do bom desempenho das capitais, todas apresentam sérias dificuldades no componente de inclusão social, com altos índices de violência contra minorias, famílias em situação de rua e baixa paridade de gênero e raça nas câmaras municipais”, afirmou.

No caso da segurança pública, o relatório destaca que os municípios do litoral do Nordeste apresentam cenário de maior criticidade. O componente “Segurança Pessoal” considera indicadores como homicídios, assassinatos de jovens, feminicídios e mortes no trânsito. 

Nordeste apresenta contrastes

O IPS Brasil 2026 aponta que parte dos municípios nordestinos teve desempenho relativamente melhor no quesito inclusão social. Ainda assim, a região continua enfrentando dificuldades em áreas como acesso à educação superior e segurança.

Entre os estados nordestinos, a Paraíba aparece como destaque regional no ranking de progresso social. Já Alagoas não figura entre os estados com melhor desempenho nacional.

O levantamento também mostra que municípios mais populosos e capitais tendem a apresentar melhores resultados em acesso à educação superior, enquanto cidades menores registram melhores índices em Necessidades Humanas Básicas. 

Índice mede qualidade de vida da população

O IPS Brasil é desenvolvido a partir de indicadores públicos e mede diretamente os resultados da qualidade de vida da população, diferentemente de índices puramente econômicos, como o PIB.

A metodologia avalia três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-estar e Oportunidades.

Entre os melhores resultados nacionais aparecem os componentes Moradia (87,95) e Acesso à Informação e Comunicação (79,81). Já os piores índices continuam relacionados a direitos, inclusão e acesso ao ensino superior.

O estudo também apontou uma leve evolução do Brasil em relação aos anos anteriores e revelou que mais de 750 municípios avançaram para grupos de melhor desempenho social entre 2025 e 2026.