O oitavo julgamento de Albino Santos de Lima, o "serial killer de Maceió", foi marcado por uma nova mudança na versão do réu e pela exposição de provas de monitoramento contra as vítimas. 

Durante a sessão realizada nesta sexta-feira (15), na 8ª Vara Criminal da Capital, Albino confessou o assassinato de Josenildo Siqueira Silva Filho, ocorrido em janeiro de 2024, mas apresentou uma justificativa inédita para o crime.

Diferente dos depoimentos prestados na fase de inquérito, onde chegou a negar o crime ou atribuí-lo a entidades, Albino afirmou em plenário que matou Josenildo por vingança. 

Segundo o réu, a vítima teria lhe assaltado meses antes do homicídio. No entanto, ao ser questionado pelo Ministério Público, ele admitiu que nunca registrou boletim de ocorrência sobre o suposto roubo e que decidiu "fazer justiça com as próprias mãos" usando a arma do pai.

O promotor Thiago Riff rebateu a tese de vingança por assalto, classificando-a como uma tentativa de justificar o injustificável. 

A acusação apresentou provas colhidas no celular do réu, incluindo prints de redes sociais da esposa da vítima, Maria Vitória, realizados inclusive após o assassinato.

O MP sustenta que o crime foi motivado pela obsessão de Albino pela jovem, que não teria correspondido aos seus olhares de desejo. 

"Ele demonstra comportamento misógino e perseguidor contra as mulheres. Como não podia ter a jovem, matava ela ou algum familiar para atingi-la", afirmou o promotor. 

Riff destacou ainda que Albino mantinha um "portfólio" dos crimes, colecionando fotos e reportagens das execuções que cometia.

Antes do interrogatório do réu, o conselho de sentença ouviu o depoimento emocionado do pai e da madrasta de Josenildo. O pai da vítima rechaçou as acusações de que o filho tivesse envolvimento com ilícitos e reforçou o sonho do jovem em seguir carreira na música. "Foi uma tragédia que até agora a gente está sofrendo", desabafou.

Uma testemunha que estava com Josenildo no momento dos disparos, na Rua Messias de Gusmão, relatou que foram surpreendidos no escuro e que não houve qualquer chance de defesa. 

O julgamento segue no período da tarde com os debates entre defesa e acusação. A expectativa é que, com mais uma condenação, a pena total de Albino Santos, que já ultrapassa um século, seja ampliada.