Confesso que tenho dificuldades de entender como senador Renan Calheiros, com quase 50 anos de atividade política profissional, entre nessa onda de distribuir dinheiro (Pix) com a população de Rio Largo, no último domingo.

É verdade que quem fez a revelação – “um presente do Paulo Dantas e do senador Renan” – foi o governador, mas Calheiros teve oportunidade de sobras de negar o feito, atribuindo-o a Dantas.

Não o fez, sorriu e talvez tenha comemorado pelo menos 50 votos – os dos Pix distribuídos, no valor de R$ 200,00 cada.

“Não é dinheiro público”, diz o Palácio.

E daí? Qual a diferença, nesse caso - e em um ano de eleição (a de Calheiros).

É possível que Calheiros tenha projetado que “isso não vai dar em nada”, do ponto de vista da Legislação Eleitoral. 

Até porque a hermenêutica local tem suas particularidades, e muitas vezes o que se julga “fora da lei” em outros estados, aqui é a própria lei.

Desespero? Pressão? Empolgação juvenil? Medo de uma derrota que encerraria uma carreira de destaque nacional de quase 50 anos?

Isso pode parecer óbvio para o senso comum, mas para mim é ainda algo que requer uma explicação mais racional e embasada, seja qual for – que só Calheiros pode dar.

E, ao que parece, ele não quer.