Alagoas voltou a figurar entre os estados com maior desemprego do Brasil no início de 2026. Dados divulgados nesta quarta-feira (14) pelo IBGE mostram que a taxa de desocupação no estado subiu para 9,2% no primeiro trimestre do ano, atingindo cerca de 121 mil alagoanos sem trabalho. O índice é o segundo maior do país, empatado com Pernambuco e Bahia, e fica atrás apenas do Amapá, que registrou 10%.

Além do avanço do desemprego, o levantamento revela um cenário ainda mais preocupante: aproximadamente 390 mil pessoas em Alagoas estão em situação de subutilização da força de trabalho — grupo que reúne desempregados, trabalhadores que atuam menos horas do que gostariam e pessoas disponíveis para trabalhar, mas fora da ocupação formal. A taxa de subutilização chegou a 26,1%, a terceira maior do Brasil, atrás somente do Piauí (30,4%) e da Bahia (26,3%).

Em comparação ao último trimestre de 2025, quando a taxa de desemprego era de 8%, houve aumento de 1,2 ponto percentual em Alagoas. Já na comparação com o mesmo período do ano passado (9%), o resultado foi considerado estatisticamente estável.

A pesquisa também aponta que mais de meio milhão de trabalhadores alagoanos vivem na informalidade. Segundo o IBGE, cerca de 506 mil pessoas atuavam sem vínculo formal de trabalho no estado no primeiro trimestre. Já o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado foi estimado em 361 mil.

O rendimento médio dos trabalhadores alagoanos ficou em R$ 2.536, sem crescimento significativo em relação aos trimestres anteriores.

O levantamento mostra ainda queda no nível geral de ocupação em Alagoas, que recuou para 46,5% da população em idade de trabalhar. O setor de alojamento e alimentação foi o mais afetado pela redução no número de ocupados no período.

No cenário nacional, a taxa de desemprego ficou em 6,1% no primeiro trimestre de 2026. Quinze estados registraram aumento da desocupação em relação ao trimestre anterior.

Segundo o analista do IBGE, William Kratochwill, o aumento do desemprego no início do ano segue um movimento histórico ligado ao encerramento de vagas temporárias criadas no fim do ano, principalmente no comércio e em contratos temporários nas áreas de educação e saúde.

A PNAD Contínua é considerada a principal pesquisa do país sobre mercado de trabalho e acompanha trimestralmente a situação da ocupação e renda da população brasileira.

*Com assessoria