Pré-candidato da Unidade Popular (UP) defende representação popular no Senado e critica avanço das elites econômicas e da extrema-direita sobre o parlamento
O professor, historiador, jornalista e pré-candidato ao Senado por Alagoas pela Unidade Popular (UP), Alexandre Fleming, afirmou nesta semana que “o povo alagoano não pode permitir que as duas vagas ao Senado permaneçam sob controle das oligarquias políticas e econômicas que historicamente dominam o estado”.
Ao abordar o cenário de Alagoas, Fleming criticou a permanência de grupos familiares tradicionais no controle da representação política do estado. “Hoje já temos pai e filho ocupando espaços no Senado ligados às mesmas estruturas oligárquicas. Agora querem manter novamente as duas vagas sob controle dos mesmos grupos políticos tradicionais. Alagoas não pode aceitar a compra política dessas vagas, nem entregar uma delas à extrema-direita”, afirmou.
Segundo Fleming, a eleição de 2026 terá caráter estratégico, já que cada eleitor poderá votar em dois nomes para o Senado Federal, em uma disputa que pode renovar até dois terços da composição da Casa. Para o pré-candidato, o debate vai além da disputa eleitoral e envolve o próprio conceito, modelo e limites da democracia e da representação política existente no país. “A ideia de que o Estado opera historicamente como instrumento de reprodução dos interesses das classes dominantes é debatida desde o século XIX pelos pensadores clássicos da esquerda socialista. O parlamento brasileiro não está fora dessas contradições e funciona, em grande medida, subordinado aos interesses das elites econômicas e dos grandes grupos empresariais”, afirmou.
Para Fleming, pelo menos uma das vagas ao Senado precisa representar os interesses populares e da classe trabalhadora. “É preciso eleger alguém ligado às lutas reais do povo, capaz de levar a voz das ruas para dentro do Congresso Nacional, fazer o parlamento sentir a força dos movimentos sociais, das periferias e de quem enfrenta diariamente as desigualdades desse país. Alguém disposto a tensionar as estruturas de poder, expor as contradições e os limites do próprio sistema político e defender os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras, das mulheres, da população negra, da juventude, da comunidade LGBTQIA+, dos servidores públicos e dos setores populares e periféricos. Não podemos continuar elegendo parlamentares que votam contra o povo, contra o fim da escala 6x1, contra a taxação dos super-ricos e que silenciam diante da violência política, da misoginia e dos ataques aos direitos sociais”, pontuou.
Fleming citou a formulação da jornalista e cientista política Maria Inês Nassif no artigo “O Legislativo se vende porque a elite econômica o compra”, defendendo que a influência do poder econômico compromete a própria representação da democracia neoliberal. Segundo ele, em Alagoas essa lógica histórica de captura do Estado pelas oligarquias ocorre de forma ainda mais intensa.
Mesmo fazendo críticas estruturais ao modelo político brasileiro, Fleming alertou para o avanço da extrema-direita e do bolsonarismo sobre as instituições. “O objetivo desses setores é ampliar uma lógica autoritária permanente, sufocando espaços de mediações e tensões dentro desse modelo e aprofundando uma espécie de ditadura passiva dentro das próprias instituições”, declarou.
Fleming também defendeu a responsabilização dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, sem anistia e sem dosimetria, e afirmou que a disputa pelo Senado em 2026 representa uma disputa sobre quais interesses terão voz dentro das estruturas de poder do país.
