O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) deflagrou na manhã desta quarta-feira (6) a Operação Portorium, com cumprimento simultâneo de 14 mandados de busca e apreensão nos estados de Alagoas, Paraná e São Paulo.
A ação mira uma organização criminosa investigada por sonegação de ICMS, lavagem de bens e apropriação indébita tributária no setor de importação e exportação, com débitos que superam R$ 102,4 milhões.
A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e Lavagem de Bens (Gaesf) do MPAL e atingiu 11 pessoas físicas e três pessoas jurídicas.
A empresa apontada como centro do esquema figura entre as maiores devedoras de ICMS do estado.
Segundo as investigações, o grupo se beneficiou indevidamente do regime de tributação incentivada concedido por Alagoas para realizar importações, principalmente de vinhos, sem o recolhimento efetivo do imposto e, em alguns casos, sem que as mercadorias sequer transitassem fisicamente pelo estado.
O esquema era sustentado por 13 empresas satélites criadas para pulverizar operações e dificultar a fiscalização.
As empresas compartilhavam endereços inexistentes, tinham quadros societários compostos por laranjas e mantinham a mesma responsável contábil centralizando toda a gestão.
As apurações identificaram movimentações bancárias expressivas sem documentação fiscal e uso de procurações públicas para controle de bens de alto valor.
Entre o patrimônio localizado estão imóveis em áreas nobres de São Paulo e Paraná, veículos esportivos e propriedades rurais para criação de gado, enquanto as empresas eram mantidas em situação de insolvência fiscal.
Em Alagoas, os trabalhos foram coordenados pelo promotor Ramon Carvalho. De São Paulo, o coordenador do Gaesf. O promotor Cyro Blatter, acompanhou o cumprimento dos mandados.
A operação contou ainda com a participação da Sefaz/AL, da PGE/AL, da SSP/AL e de órgãos dos Ministérios Públicos e polícias do Paraná e de São Paulo.
O nome faz referência ao Portorium, imposto alfandegário da Roma Antiga, em alusão à natureza tributária das condutas investigadas.
Foto de capa: Anderson Macena/Ascom MPAL
