A presença de pedras na vesícula, condição conhecida como colelitíase, ainda gera dúvidas entre pacientes, principalmente sobre a necessidade de retirada do órgão. No quadro Responde aí, Doutor!, publicado toda quarta-feira no Instagram da Santa Casa de Maceió (@santacasademaceio), o cirurgião Jacob Rego Miranda explica que, na prática médica, não é indicado retirar apenas os cálculos, sendo necessária, na maioria dos casos, a remoção completa da vesícula biliar.
Segundo o especialista, a própria estrutura do órgão dificulta um procedimento mais conservador. “A vesícula tem uma parede muito fina, o que não permite uma sutura segura após a retirada das pedras. Isso pode causar complicações, como infecção no abdômen. Mesmo quando há inflamação, a parede não se presta a esse tipo de abordagem”, explica.
Dados da Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro apontam que o Brasil registrou mais de 1,8 milhão de internações relacionadas à doença entre 2019 e 2024. A taxa foi de 188 internações a cada 100 mil habitantes, com maior concentração de casos a partir dos 30 anos.
Localizada junto ao fígado, a vesícula biliar tem a função de armazenar a bile, substância que auxilia na digestão das gorduras. Alterações na composição desse líquido, especialmente ligadas ao colesterol e à bilirrubina, podem levar à formação de cristais que se acumulam e dão origem às pedras.
Embora, em muitos casos, a doença seja silenciosa, a obstrução da passagem da bile pode provocar crises dolorosas e inflamações. Entre os sintomas mais comuns estão dor abdominal (principalmente na parte superior direita), náuseas, vômitos e intolerância a alimentos gordurosos.
O diagnóstico costuma ser feito por meio de ultrassonografia abdominal, exame que identifica a presença dos cálculos. “Quando há indicação, o tratamento é cirúrgico, por meio da colecistectomia, procedimento que consiste na retirada da vesícula, geralmente realizado por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva e com recuperação mais rápida”, destaca o especialista.
Mesmo sem a vesícula, o organismo continua funcionando normalmente, já que a bile segue sendo produzida pelo fígado e liberada diretamente no intestino. Nos casos em que o paciente não apresenta sintomas, a conduta pode variar. A indicação cirúrgica é avaliada de forma individualizada, considerando fatores como risco de complicações, presença de outras doenças e histórico clínico.
Entre os principais fatores de risco estão obesidade, alimentação rica em gordura, uso de hormônios, idade acima de 40 anos e predisposição familiar. Apesar de não haver uma forma totalmente eficaz de prevenção, hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, controle do peso e prática regular de atividade física, ajudam a reduzir os riscos.
A presença de pedras na vesícula também pode evoluir para quadros mais graves, como colecistite, pancreatite e infecções das vias biliares, o que reforça a importância do acompanhamento médico.
