O uso de medicamentos da nova geração para o tratamento da obesidade, como o Mounjaro (tirzepatida), revolucionou o controle metabólico ao promover uma saciedade precoce e uma redução drástica no apetite.

 No entanto, comer menos não significa necessariamente comer melhor — e é aqui que mora o perigo.

Entrevistamos a nutricionista Isabela Maranhão, que detalhou as estratégias fundamentais para quem está em tratamento e deseja perder peso com saúde, sem comprometer a vitalidade do organismo.

 

1. Densidade Nutricional: Qualidade sobre Quantidade

Com a forte redução do apetite, o paciente passa a comer volumes muito reduzidos. Segundo Isabela, o risco de anemias e deficiências vitamínicas é real.

"Quando o espaço no estômago é limitado, cada garfada conta. Precisamos focar em alimentos de alta densidade nutricional", explica a nutricionista.

A estratégia envolve priorizar vegetais escuros, sementes e proteínas de alto valor biológico, garantindo que o pouco que se come seja rico em micronutrientes essenciais.

 

2. Proteínas: O Escudo Contra a Perda de Massa Magra

Um dos maiores temores dos especialistas é a sarcopenia (perda de músculo) durante o emagrecimento rápido. Isabela enfatiza que a proteína é o pilar da dieta nesses casos.

  • O papel: Preservar o tecido muscular e manter o metabolismo ativo.
  • O fracionamento: "O paciente não deve tentar comer toda a proteína em uma única refeição, pois a saciedade do Mounjaro impedirá. O ideal é fracionar pequenas porções ao longo do dia para garantir o aporte constante de aminoácidos", orienta.
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3. Gerenciando as Náuseas e o Desconforto

Náuseas e desconforto gastrointestinal são os efeitos colaterais mais relatados. Para amenizá-los, a nutricionista sugere ajustes finos na escolha dos alimentos:

  • O que evitar: Alimentos ultraprocessados, frituras, excesso de gorduras e preparações muito condimentadas, que retardam ainda mais o esvaziamento gástrico.
  • Aliados: Alimentos frios, gengibre e refeições mais "secas" podem ajudar a controlar o mal-estar matinal e as náuseas.
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4. O Perigo Invisível: Desidratação

Como o medicamento atua nos centros de recompensa e saciedade, muitos pacientes simplesmente esquecem de beber água.

"A ausência de sede é um risco crítico. A desidratação pode levar a tonturas, constipação severa e desequilíbrio de eletrólitos como sódio e potássio", alerta Isabela.

A recomendação é o uso de lembretes no celular e o consumo de águas aromatizadas ou chás para manter o equilíbrio mineral do corpo.

 

5. Além da Caneta: A Reeducação contra o Efeito Rebote

O Mounjaro é uma ferramenta poderosa, mas não é eterna. A nutricionista defende que o período de tratamento deve ser encarado como uma janela de oportunidade para a reeducação alimentar.

 

Confira o vídeo abaixo: