Os gastos do Governo de Alagoas apresentaram crescimento expressivo em 2025, acompanhando o aumento da arrecadação própria e das transferências federais. Dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária indicam alta nas principais rubricas, com destaque para despesas com pessoal, custeio da máquina pública e encargos da dívida.
A despesa total liquidada passou de R$ 18,16 bilhões em 2024 para R$ 20,17 bilhões em 2025, um acréscimo de cerca de R$ 2 bilhões, equivalente a 11,05%. O avanço ocorre em sintonia com a expansão das receitas e ajuda a sustentar o equilíbrio fiscal, mesmo diante do aumento dos gastos.
A principal pressão continua sendo a folha de pagamento. As despesas com pessoal e encargos sociais saltaram de R$ 8,26 bilhões para R$ 9,52 bilhões, um crescimento de R$ 1,26 bilhão (+15,22%), consolidando-se como o maior peso no orçamento estadual.
Outro ponto de atenção é o custo da dívida pública. Os juros e encargos passaram de R$ 829 milhões para R$ 1,02 bilhão, enquanto a amortização, pagamento do principal, subiu de R$ 624 milhões para R$ 769 milhões. No total, os gastos com a dívida alcançaram R$ 1,79 bilhão em 2025, frente a R$ 1,45 bilhão no ano anterior, um aumento de 23,32%, pressionando ainda mais o caixa do Estado.
As chamadas “outras despesas correntes”, que incluem custeio da máquina, contratos e serviços, também cresceram de forma significativa: passaram de R$ 5,14 bilhões para R$ 5,94 bilhões (+15,53%).
Já as transferências aos municípios acompanharam o ritmo da arrecadação, saindo de R$ 2,31 bilhões para cerca de R$ 2,48 bilhões, uma alta de 7,15%.

Gastos por área
A expansão das despesas foi praticamente generalizada entre as áreas do governo. A previdência social teve um dos maiores aumentos, passando de R$ 2,95 bilhões para R$ 3,49 bilhões (+18,49%), reforçando sua relevância no conjunto das contas públicas.
Na segurança pública, os gastos cresceram 23,79%, saindo de R$ 2,01 bilhões para R$ 2,49 bilhões, uma das maiores altas proporcionais. A educação também registrou avanço, com aumento de 12,62%, enquanto a saúde teve crescimento mais tímido, de apenas 1,63%, mantendo-se praticamente estável.
Os investimentos em infraestrutura ganharam destaque, especialmente na área de transportes, que avançou 19,4%, indicando prioridade para obras e melhorias logísticas.
Outros setores também apresentaram crescimento, como assistência social (+9,1%), agricultura (+6,9%) e saneamento (+8%). Já os poderes e órgãos autônomos, como Judiciário, Legislativo e funções essenciais à Justiça, registraram aumentos entre 10% e 13%.

Panorama geral
No conjunto, o Estado ampliou os gastos em quase todas as áreas em 2025. O movimento foi sustentado pelo aumento da receita, mas segue condicionado por fatores estruturais, como o peso da folha de pagamento e da previdência, além do crescimento das despesas com a dívida.
Enquanto áreas como segurança pública e infraestrutura avançam acima da média, a estabilidade dos gastos com saúde e o ritmo mais moderado das transferências aos municípios revelam diferenças no direcionamento dos recursos.
O cenário aponta para um orçamento mais robusto, porém ainda pressionado por despesas obrigatórias e compromissos de longo prazo.
*Fotos 1 e 2: Shutterstock.
