Em um cenário que mistura assistencialismo, parcerias público-privadas e o tabuleiro eleitoral de Alagoas, a senadora Eudócia Caldas (Sem partido) anunciou, nesta semana, a chegada do CESMAC ao município de União dos Palmares. O anúncio, feito ao lado do prefeito Júnior Menezes, foi embalado como uma conquista histórica para a juventude local. No entanto, por trás dos sorrisos e apertos de mão, surge um questionamento inevitável: a quem serve essa "parceria de verdade"?
A promessa é clara: a Prefeitura de União dos Palmares irá ceder o espaço físico para que uma instituição de ensino superior particular instale seus cursos. Na prática, o município utiliza o patrimônio público para desonerar os custos operacionais de uma empresa privada.
Embora a senadora defenda que a iniciativa evita que o jovem "enfrente a estrada", ela silencia sobre o obstáculo mais alto: o boleto. Ao optar por articular a vinda de uma faculdade privada em detrimento do fortalecimento de instituições públicas, a parlamentar ignora a realidade de uma região onde o poder aquisitivo é majoritariamente de baixa renda.
Diferente de um cidadão comum, um Senador da República possui as chaves do orçamento federal e o poder de articulação junto ao Ministério da Educação (MEC). Alagoas possui uma Universidade Federal (UFAL) e um Instituto Federal (IFAL) que sobrevivem a duras penas, mas que garantem o ensino gratuito e de qualidade através do mérito.
O contraste: Enquanto a UFAL e o IFAL sofrem com cortes orçamentários, a solução apresentada pela senadora é a "terceirização" do ensino superior para uma instituição com a qual ela mantém uma amizade notória. O impacto: Para um jovem de União que vive com um salário-mínimo, a distância física pode diminuir, mas a distância social aumenta se ele não puder arcar com as mensalidades do CESMAC.
Ano eleitoral
O anúncio não vem em data aleatória. Com o filho, o ex-prefeito de Maceió JHC, como peça-chave no xadrez político estadual, cada movimentação de Eudócia no interior é lida como um fortalecimento de base. O garotão que renunciou há poucos dias a Prefeitura de Maceió é candidato ao governo de Alagoas.
A pergunta que fica para o povo palmarino é: por que o esforço político não foi direcionado para a criação de um polo público, onde o filho do trabalhador rural pudesse estudar sem comprometer a renda familiar? A "parceria" celebrada em União dos Palmares parece ser eficiente para a logística das instituições envolvidas, mas deixa uma lacuna profunda na verdadeira democratização do ensino superior para quem mais precisa.
