A paciência da gestão municipal de Pilar com a BRK Ambiental esgotou. Após sucessivas reclamações da população sobre a precariedade dos serviços e o rastro de destruição deixado nas vias públicas, a Prefeitura decidiu endurecer o jogo e levar o embate para os tribunais.

O  vice-prefeito Tayronne Henrique que está à frente da Prefeitura, deu voz à indignação dos moradores em um vídeo junto com a deputada estadual Fátima Canuto nas suas redes sociais. Gravado em um trecho severamente danificado por intervenções da empresa, o vídeo mostra uma realidade comum em diversos bairros: a BRK abre o asfalto para realizar reparos, mas não executa a recomposição da via, deixando prejuízos para motoristas e pedestres.

“Chega de prejuízo para o povo! Agora é na Justiça: obra só com autorização, ruas consertadas e nada de cobrar esgoto sem entregar o serviço”, disparou o gestor.

Diante da falta de respostas efetivas da concessionária, a Prefeitura do Pilar protocolou uma ação judicial estabelecendo três pilares fundamentais para frear o que considera uma gestão irresponsável da infraestrutura urbana:

  1. Fim da "Farra das Escavações": A empresa fica proibida de realizar novas escavações sem a autorização prévia da Secretaria Municipal de Infraestrutura. O objetivo é garantir que a Prefeitura monitore onde e como o solo está sendo mexido.
  2. Cronograma de Recuperação: A BRK tem o prazo de 10 dias para apresentar um plano detalhado de recuperação de todas as vias que foram danificadas por suas equipes e abandonadas sem o devido asfalto ou calçamento.
  3. Suspensão da Tarifa de Esgoto: Um dos pontos mais sensíveis para o bolso do cidadão. A Prefeitura exige a suspensão da cobrança da taxa de esgoto em locais onde o serviço efetivamente não é entregue ou apresenta falhas graves. E como se não bastasse, a falta de água é constante e quando chega nas torneiras é de péssima  qualidade. 

A postura da Prefeitura do Pilar reflete um sentimento crescente em diversos municípios alagoanos atendidos pela concessionária. Não se trata apenas de cobrar eficiência, mas de impedir que a infraestrutura urbana — paga com dinheiro público — seja destruída por uma operação privada que parece ignorar a zeladoria das cidades.

Ao condicionar novas obras à autorização da Infraestrutura e atacar a cobrança de tarifas por serviços inexistentes, Pilar cria um precedente importante: o lucro de uma empresa não pode estar acima do bem-estar e do patrimônio do cidadão pilarense.

Resta saber se a BRK cumprirá os prazos ou se continuará a ignorar o clamor das ruas e os limites da administração pública. Por enquanto, o recado do Pilar é claro: acabou a tolerância.