Criada de forma independente e coletiva, a festa, que foi concebida meses antes da sua primeira edição, surge no lar de vários esquentas e reuniões de amigos. Sempre embalados pelo som da música eletrônica, com uma DDJ para realizar mixagens. A ideia que deu pontapé a sua realização foi: “e se a gente fizesse isso de uma forma que pudéssemos chamar mais pessoas?”. 

E dessa forma, Imola, antes mesmo de ser Imola, foi quase que uma santa ceia que ao invés de pão e vinho, tinha música (e também vinho). Até que a sala da nossa casa passou a ser um espaço pequeno demais para as fantasias que queríamos dar vida. 

À primazia, sempre enxergamos como norte que o nosso querido Club seria sobretudo um espaço para as diversas manifestações artísticas dispostas dentro de uma comunidade repleta de corpos dissidentes. Os protagonistas da nossa utopia eletrônica sempre foram disruptivos em apenas existir. Dando o holofote a pessoas LGBTQIA+, a pista torna-se o palco das narrativas que assolam uma comunidade cheia de cores e é guiada por ritmos que contam e mostram o desenvolvimento dessas histórias. 

Com uma bagagem dentro da noite alagoana, enxergamos como necessidade enaltecer figuras que nos inspiraram nessa jornada, como a DJ e multiartista Leviathan, que mesmo sem saber, plantou a inquietação que um dia viria a ser a IMOLA, nos apresentando um mundo de possibilidades com o Coletivo Umbral. Além dela, Marcos Topete, que, deu habitação não só a nossa festa, como também a tantas outras que perseveram o underground alagoano. 

Nosso evento tem como regra a liberdade. Com grandes caixas de som e um jogo de luz para iluminar nossos artistas, nossos DJs têm como ponto de partida a música eletrônica mas são desprendidos para que tenham a possibilidade de explorar todos os seus subgêneros (House, Bass Music, Latin Techno, Tribal, Trance, Technofunk). Do mesmo modo, nossos performers, que são peças essenciais do nosso show, utilizando-se dos seus corpos, são figuras que materializam o que está sendo tocado em conjunto com o nosso público. Tecendo linhas que interligam os demais estados do Nordeste, buscamos em nossas edições trazer figuras emblemáticas de outros estados, tendo em nossas festas anteriores apresentações de Anti Ribeiro (SE), Metalluna (PE) e GabNaja (PE). 

Dar luz à essa toada não é a coisa mais fácil a se fazer. Conforme mencionado anteriormente, somos um coletivo que atua de forma independente, sem qualquer patrocínio ou ajuda financeira. Contamos, principalmente, com o apoio da nossa audiência, que possibilita a concretização de parte das nossas ideias. Construímos a Imola porque acreditamos num horizonte em que os nossos desejos possam ser contemplados em cheio e que possamos aumentar o tamanho da nossa festa, mantendo sempre um valor acessível para que todos possam participar e se enfeitiçar com a música eletrônica e a cena underground. 

Prestes a realizar a nossa terceira edição, Club Imola: Encanto da Sereia, buscamos abrir espaço para o novo, com a estreia de um DJ na cena alagoana: Tertoo. Nossa line do dia 02 de maio, será composta também por KJ, GAYFATAL, Leviathan, Perigou e, como convidada mais que especial e referência na cena: IDLIBRA, que vai estar vindo de festivais nacionais e internacionais como Lollapalooza Brasil e TimeWrap Brasil.