Em Alagoas, a política adora encenar guerra. É grito, ataque, rompimento, nota dura, vídeo indignado. Tudo muito intenso, tudo muito urgente. Mas essa batalha, quase sempre, acontece na planície. É lá que aliados viram inimigos por quase nada, que pontes são queimadas com orgulho e que se compra briga como se fosse poder. A base se estilhaça em nome de causas que, curiosamente, mudam de direção conforme o vento.

No topo, o clima é outro. Não há gritaria, há cálculo. Não há rompante, há agenda. Enquanto a planície sangra, o topo brinda. Conversa baixo, ajusta, recompõe, ri. O inimigo de ontem vira interlocutor de hoje sem qualquer drama existencial. Porque quem está lá em cima já entendeu que conflito demais atrapalha o que realmente importa. E, convenhamos, coerência nunca foi pré-requisito para sobrevivência política.


Ah, se o WhatsApp falasse. Se falasse, muita narrativa heroica virava comédia em segundos. O que é rompimento em público, em privado vira “depois a gente resolve”. O que é indignação, vira figurinha e gargalhada. Mas não fala. E talvez seja justamente esse silêncio que mantém a engrenagem funcionando: enquanto a planície acredita na guerra, o topo segue em paz, administrando tudo, inclusive a própria farsa.