Uma das mudanças mais relevantes das regras eleitorais para 2026 passa quase despercebida, mas pode redesenhar o jogo nas redes sociais. A Resolução nº 23.755 do Tribunal Superior Eleitoral estabelece a proibição de qualquer remuneração, direta ou indireta, a influenciadores que disseminem propaganda eleitoral.
Nos últimos anos, a política entrou de vez no mercado da influência digital. Perfis com milhares de seguidores passaram a ser contratados para defender candidatos, muitas vezes sem qualquer identificação de que se tratava de publicidade. Era propaganda com cara de opinião. E isso distorce o debate.
O TSE quer impedir que conteúdos pagos se disfarcem de espontâneos. Quer separar quem fala por convicção de quem fala por contrato. Parece básico. Mas não era o que vinha acontecendo.
Criou-se um modelo perigoso: campanhas terceirizando discurso para influenciadores, que vendem credibilidade como produto. O seguidor acredita estar ouvindo alguém comum, quando, na prática, está diante de uma estratégia paga. A resolução enfrenta exatamente esse ponto.
Ao proibir qualquer forma de remuneração, inclusive indireta, o TSE fecha a porta para esse tipo de prática. Não se trata de limitar opinião. Influenciadores continuam livres para se posicionar. O que não podem mais é receber para isso sem transparência.
Pagamentos disfarçados, acordos informais e benefícios indiretos sempre existirão. A eficácia da norma dependerá da capacidade de fiscalização e de prova. Mas o recado institucional já foi dado.