Seja na parte baixa ou alta de Maceió, patinetes e bicicletas elétricas já fazem parte da paisagem urbana. A orla da capital, principal ponto de retirada dos equipamentos, concentra a origem de um problema que vem se espalhando por diferentes regiões da cidade.
Relatos recentes de moradores nas redes sociais apontam para um padrão de abandono dos transportes em locais irregulares. Além do incômodo de não encontrar os equipamentos nos pontos corretos de recarga, a situação também tem colocado em risco pedestres e motoristas.
Um dos casos foi registrado na noite desta terça-feira (21), por uma moradora do bairro da Ponta Verde. Ela relatou ter a entrada da garagem do seu prédio bloqueada por três patinetes elétricos e precisou descer do carro para retirá-los da passagem — uma situação que envolve não apenas convivência, mas também segurança.
"São 21h35, se fosse mais tarde? O perigo para descer e retirar da frente da minha garagem!", escreveu a moradora em publicação nas redes sociais.
Embora o serviço tenha sido implantado com o objetivo de facilitar o deslocamento e oferecer uma alternativa prática de transporte para moradores e turistas, o uso inadequado tem se tornado cada vez mais comum.
Falta de fiscalização mobiliza moradores
Em nota, a Associação dos Residentes dos Bairros da Orla de Maceió criticou a atuação da empresa responsável pelo serviço e afirmou que os equipamentos têm ocupado irregularmente espaços públicos. Segundo a entidade, a empresa “se apoderou das calçadas da cidade sem levar em conta os donos do entorno: os moradores”.
Na mesma manifestação, a associação reforça que há regras claras sobre o uso do espaço urbano que estariam sendo desrespeitadas. Entre elas, a prioridade de circulação para pedestres nas calçadas e a proibição de obstruir passagens, acessos a imóveis, pontos de ônibus e hidrantes.
Para a entidade, a falta de organização no uso dos patinetes demonstra ausência de fiscalização e de compromisso com a convivência urbana. O grupo também citou como exemplo a cidade de Fortaleza, onde o uso de patinetes foi proibido na orla e em calçadas, e cobrou uma atuação mais rigorosa do poder público em Maceió.
A associação pede que a prefeitura intensifique a fiscalização e faça cumprir a legislação, alertando que o problema pode se agravar caso não haja intervenção rápida. Em resposta a postagem, uma ciclista relatou ter vivido uma situação de risco ao quase atropelar uma criança que desceu correndo de um patinete na ciclovia.
“Falta responsabilidade de todas as partes. Adultos levando crianças de carona, três pessoas em um patinete, com cachorro nos braços. Não sou contra o uso, mas precisa de regra e fiscalização.” afirmou no comentário.
A reportagem entrou em contato com a empresa responsável pelo serviço, que informou, por meio de nota, que os usuários são orientados pelo aplicativo a estacionar corretamente e recebem alertas operacionais. (Veja abaixo)
Leia nota na íntegra:
“A JET orienta permanentemente seus usuários a estacionarem patinetes e bicicletas de forma adequada, sempre em locais permitidos e sem obstruir a circulação de pedestres, veículos ou o acesso a imóveis residenciais e comerciais.
As regras de uso e estacionamento são informadas aos usuários no aplicativo GO JET ao longo da jornada, inclusive com alertas operacionais, e a companhia mantém rotinas de monitoramento para coibir utilizações em desacordo com essas diretrizes.
Em regra, o encerramento das viagens deve ocorrer nas áreas autorizadas e sinalizadas no aplicativo. Situações pontuais de posicionamento inadequado são tratadas pela equipe de operações, que atua diariamente no recolhimento, reposicionamento e regularização dos equipamentos em campo.”
A JET também adota medidas contra usuários que descumpram as regras da plataforma, incluindo advertências, cobranças adicionais e, nos casos de reincidência, bloqueio da conta.
A empresa reforça seu compromisso com a segurança, a boa convivência urbana e o uso responsável do espaço público. Ocorrências podem ser reportadas por qualquer pessoa pelo aplicativo GO JET, pelo e-mail [email protected] ou via WhatsApp no +55 (11) 91541-6915.”
*Estagiária sob supervisão da editoria
