A Prefeitura de Coruripe, por meio da Secretaria Municipal de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher, iniciou nesta quinta-feira (09) o Percurso Formativo Territorial da Política Alagoas Lilás, uma iniciativa voltada ao fortalecimento da rede de atendimento às mulheres em situação de violência. A formação acontece nos dias 9 e 10 de abril, no auditório da Secretaria Municipal de Saúde.

Promovida pela Secretaria de Estado da Mulher (SEMU) e mediada pelos Institutos Natura e Geni (Gênero e Interseccionalidade), a ação reúne profissionais da rede de atenção e atendimento à mulher,  incluindo representantes da saúde, assistência social, educação, secretarias de políticas voltadas para as mulheres, segurança pública (como a Patrulha Maria da Penha) e sociedade civil. Ao longo de dois dias, esses atores participam de uma programação estratégica e integrada, com foco na qualificação do atendimento e na articulação da rede de proteção em onze municípios do Litoral Sul e Baixo São Francisco.

A atividade teve início com uma dinâmica de acolhimento e identificação dos serviços que compõem a rede municipal. Ao longo do primeiro dia, os participantes construíram pactos de cuidado e convivência, além de acompanharem a apresentação da política estadual e seus principais objetivos.

Um dos destaques da programação é a cartografia de serviços, uma atividade prática e participativa que possibilita mapear os equipamentos disponíveis no município, além de compreender de forma mais clara o fluxo de atendimento às mulheres. A discussão sobre violência baseada em gênero e interseccionalidade também integrou o conteúdo, ampliando o olhar dos profissionais sobre as múltiplas realidades vivenciadas pelas usuárias da rede.

A secretária municipal de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher, Roberta Beltrão, destacou a importância do encontro para o fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres no município.
“É com grande alegria que recebemos hoje, aqui em Coruripe, representantes de 11 municípios que vieram participar do Percurso Formativo do Alagoas Lilás. Esse momento vem fortalecer a nossa rede de proteção à mulher, ampliar conhecimentos e reafirmar o nosso compromisso no enfrentamento à violência contra a mulher. Seguimos juntos, construindo políticas públicas que venham fortalecer as mulheres do nosso município”, pontuou a secretária.

Beatriz Acioli, líder de políticas públicas pelo fim da violência contra as mulheres no Instituto Natura, destacou a importância da ação integrada entre diferentes setores.
“O Instituto atua como parceiro técnico do Governo de Alagoas na implementação da política estadual Alagoas Lilás, que vai além da segurança pública e envolve áreas como saúde, assistência social e outros serviços essenciais. Esse encontro é direcionado a profissionais que atuam na linha de frente do atendimento às mulheres, vindos de municípios do Litoral Sul e do Baixo São Francisco. A formação é voltada à construção de fluxos e protocolos de atendimento. O objetivo é melhorar não apenas a atuação individual de cada serviço, mas principalmente a articulação entre eles. A iniciativa busca tornar o atendimento mais integrado e menos fragmentado, reduzindo o sofrimento das mulheres ao buscar ajuda e contribuindo para a diminuição dos casos de feminicídio. O foco é garantir que a rede funcione de forma acolhedora, eficiente e coordenada”, destacou Acioli.

A gerente de fortalecimento de políticas públicas do Instituto Geni, Dilma Pinheiro, ressaltou a importância da formação para integrar e qualificar o atendimento às mulheres em situação de violência na região.
“O Instituto é parceiro técnico do Governo do Estado de Alagoas, por meio da Secretaria da Mulher, com o apoio do Instituto Natura. Estamos no município de Coruripe, na 15ª turma do Percurso Formativo Territorial, que tem como objetivo fortalecer toda a rede de atendimento à mulher em situação de violência. Coruripe está sediando essa oficina junto com municípios circunvizinhos, no sentido de fortalecer essa rede, ampliar o diálogo e melhorar, cada vez mais, a qualificação do atendimento às mulheres em situação de violência”, frisou Dilma.

No segundo dia, a formação avança para estudos de caso e debates sobre a chamada “rota crítica” das mulheres em situação de violência, abordando os caminhos percorridos por elas na busca por atendimento. Também são discutidos os fluxos institucionais, com foco na validação de práticas e no aprimoramento dos serviços ofertados.

A programação inclui ainda reflexões sobre atendimento humanizado e os riscos de revitimização institucional, reforçando a importância de uma escuta qualificada e de abordagens mais sensíveis no acolhimento.

 

Fotos: Danilo Oliveira