Novos dados do Mapa Territorial do Nexos, divulgados nesta terça-feira (7), revelam a forte dependência de Alagoas em relação aos programas de transferência de renda. Atualmente, cerca de 1,5 milhão de pessoas — quase metade da população do estado — vivem em domicílios atendidos pelo Bolsa Família.

O levantamento aponta que 7 em cada 10 famílias alagoanas dependem do benefício, evidenciando um cenário persistente de vulnerabilidade social em 2026.

O dado mais crítico do relatório aparece no município de Chã Preta, onde o número de famílias cadastradas no programa chega a 106% da população local. O índice indica que há mais registros ativos no Bolsa Família do que o total de famílias contabilizadas pelo Censo do IBGE, o que pode apontar distorções cadastrais ou uma dependência extrema da economia local em relação ao recurso federal.

Além de Chã Preta, municípios como Jequiá da Praia, Piaçabuçu, Campo Grande e Roteiro aparecem entre os mais dependentes do programa.

Em Maceió, o Bolsa Família alcança 108.451 famílias. Isso significa que 32,3% da população da capital vive em lares beneficiados. No total, Alagoas possui 3.127.511 habitantes, com 537.664 famílias inseridas na rede de proteção social do programa federal.

Os dados do Nexos reforçam o desafio para as políticas públicas no estado. Embora o governo federal sustente a rede de proteção, a economia local ainda encontra dificuldades para gerar autonomia financeira para essas famílias.

A concentração de beneficiários em cidades do interior expõe a escassez de oportunidades de emprego e renda fora dos principais centros urbanos de Alagoas.