O ex-vereador Francisco Sales fez um alerta contundente nesta sexta-feira (27) sobre a alegada situação financeira "crítica" da Braskem e os riscos que esse cenário pode representar para o pagamento das indenizações às vítimas do desastre nos bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange, em Maceió.
Segundo Sales, o alerta sobre a chamada continuidade operacional da empresa — apontado por auditoria independente contratada pela própria Braskem e revelado nesta sexta-feira (27) em reportagem do jornal Valor Econômico — precisa ser tratado com máxima atenção pelas autoridades.
“Quando se fala em risco à continuidade operacional, estamos falando da possibilidade de a empresa enfrentar dificuldades para manter suas atividades, podendo reduzir produção, fechar unidades ou até demitir trabalhadores. Isso é grave e exige vigilância imediata”, afirmou.

O ex-vereador destacou que, embora parte das indenizações já tenha sido paga, ainda há um volume expressivo de pendências. “As indenizações ainda devidas — muitas delas judicializadas e inseridas em discussões sobre o alcance do crime ambiental — mostram que esse processo está longe de terminar. Ainda não há uma definição definitiva sobre a extensão real dos danos causados e existem ações judiciais até no exterior, apontando que a Braskem ainda têm muito a pagar pelos crimes cometidos”, pontuou.
Sales também questionou a delimitação das áreas afetadas. “É preciso esclarecer se o impacto se restringe a Pinheiro, Bebedouro e Mutange ou se há outros bairros atingidos. Essa é uma discussão que segue aberta e precisa de respostas claras”, disse.
Ao comentar o cenário, Sales reforçou sua posição com cautela jurídica: “A Braskem alega crise financeira, mas não pode ‘fugir’ de Alagoas sem pagar o muito que ainda deve à população. Ainda não sabemos a extensão total deste dano econômico e não estamos aqui acusando a empresa de neste momento tentar se evadir do estado. Queremos justiça, somente. E queremos crer que a empresa não deixará o Estado sem cumprir integralmente suas obrigações.”
Mas mesmo assim, para Sales o momento exige atenção redobrada diante da recente mudança no controle da empresa, aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica, com a entrada do fundo IG4, que conta com participação da Petrobras. "Ainda que com novos sócios e com a presença de uma estatal gigante como a Petrobras em seu quadro societário, a empresa segue alegando dificuldades e agora apresenta dúvidas sobre sua continuidade. Isso precisa ser acompanhado com rigor”, afirmou.
Sales reforçou que há milhares de famílias, comerciantes e empreendedores que perderam tudo e aguardam até hoje reparação justa, além de existirem ações judiciais em andamento — inclusive no exterior — que discutem a real extensão dos danos causados.
Com atuação destacada no tema, o ex-vereador lembrou que foi um dos parlamentares que mais atuaram na defesa das vítimas na Câmara Municipal de Maceió, tendo inclusive presidido uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o caso. “Essa luta é antiga e permanente. Sempre estivemos ao lado das famílias e continuaremos vigilantes”, declarou.
Por fim, Sales defendeu atuação firme das instituições: “É fundamental que os Ministérios Públicos e o Ministério da Justiça acompanhem oficialmente cada passo, cobrando por escrito explicações detalhadas sobre a situação financeira da Braskem. A partir do momento em que a empresa é apontada como ré em um dos maiores crimes ambientais do país, não se pode permitir qualquer manobra que comprometa o direito das vítimas. A reparação precisa ser integral e garantida até o fim.”
