O uso frequente de fones de ouvido, impulsionado pela rotina conectada e pelo consumo de música e conteúdo digital, acende um alerta entre especialistas sobre os riscos à saúde auditiva. A exposição prolongada a sons em volumes elevados pode provocar danos irreversíveis, muitas vezes silenciosos no início. A otorrinolaringologista Daniella Sofia Gatto, da Hapvida, dá detalhes sobre os danos causados pelo hábito e afirma que o problema está diretamente relacionado à forma de uso.  

Segundo ela, não há um prazo exato para que a perda auditiva se instale. “Não existe um tempo estabelecido. Porém, fatores como intensidade do som, idade do paciente, condições clínicas e genéticas influenciam”, menciona. Isso significa que cada organismo reage de maneira diferente à exposição sonora e a forma em que é exposto diariamente. Em relação ao volume seguro, há parâmetros bem definidos. “85 decibéis é o limite ocupacional máximo em uma jornada de 8 horas”, orienta a médica, ressaltando que níveis acima disso, especialmente por períodos prolongados, já são considerados prejudiciais.

Os sinais de alerta, embora muitas vezes ignorados, são importantes indicadores de que a audição pode estar sendo afetada. Dificuldade de compreender a fala, de entender, zumbido e irritabilidade com sons estão entre os principais sintomas. Outro comportamento comum e prejudicial ocorre em ambientes barulhentos, quando usuários aumentam o volume para compensar o ruído externo.

A mudança desse hábito passa por conscientização “por meio de hábitos e conhecimentos sobre a importância da saúde auditiva”, orienta a especialista. Para quem utiliza fones diariamente, o ideal é o acompanhamento médico.