A leucemia, um tipo de câncer que afeta o sangue e a medula óssea, ainda desperta medo e muitas dúvidas na população. Apesar do impacto causado pelo diagnóstico, especialistas reforçam que a informação, o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado são fundamentais para aumentar as chances de cura.
O tema foi abordado no programa Jornal da Manhã, da TV Asa Branca, afiliada à Globo, destacando a importância da conscientização e os caminhos possíveis para o enfrentamento da doença. A entrevista contou com a participação da oncologista pediátrica da Santa Casa Farol, Bruna Salviano, que explicou os principais aspectos da leucemia, desde os sintomas iniciais até as formas de tratamento.
Diferente de outros cânceres, quando há redução das hemácias, o paciente pode apresentar anemia, palidez, cansaço excessivo e falta de disposição. Já alterações nos leucócitos comprometem a defesa do organismo, aumentando o risco de infecções graves. A diminuição das plaquetas pode provocar manchas roxas pelo corpo e dificuldade de coagulação.
Outro sinal importante, muitas vezes negligenciado, é a dor nas pernas, especialmente em crianças. “Como a medula está produzindo muitas células cancerígenas e um dos principais locais de produção nas crianças é nas pernas e na bacia, elas sentem muita dor. Cerca de 80% das crianças chegam com essa queixa, que nem sempre é valorizada”, destacou Bruna.

Segundo a especialista, o diagnóstico pode ser feito por meio de um exame simples. “Muitas vezes só quando o quadro se agrava alguém solicita um hemograma, que é um exame extremamente simples e permite identificar alterações importantes. Então, quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de cura, especialmente em pacientes pediátricos”, explicou.
Diferentemente de muitos cânceres em adultos, o câncer infantil não pode ser prevenido. Por isso, o foco está no diagnóstico precoce. “O que muda o desfecho é descobrir a doença o mais rápido possível para iniciar o tratamento e alcançar uma boa chance de cura”, afirmou a especialista. Quando diagnosticada precocemente, a leucemia infantil pode atingir taxas de cura de até 80%.
Dados do Instituto Nacional de Câncer apontam que cerca de 150 novos casos de leucemia devem ser registrados em Alagoas por ano até 2028. Somente em 2024, o estado contabilizou 98 óbitos relacionados à doença, reforçando a importância da conscientização e do acesso rápido ao tratamento.

Em alguns casos, o transplante de medula óssea é necessário. Quando não há compatibilidade entre familiares, a esperança pode estar no cadastro nacional de doadores. Atualmente, Alagoas possui mais de 69 mil voluntários cadastrados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), enquanto 314 pacientes aguardam por compatibilidade.
Doação: Para se tornar doador, é preciso ter entre 18 e 35 anos, estar em boas condições de saúde e apresentar documento oficial. O cadastro é realizado nas unidades do Hemocentro de Alagoas, onde é feita a coleta de uma pequena amostra de sangue para análise genética e inclusão no banco nacional.
