O bairro histórico do Jaraguá ganha novos sons, cores e significados. Nesta quinta-feira, 19, a Artnor 2026 abriu oficialmente sua programação, convidando o público a mergulhar em uma experiência que vai muito além da exposição e venda de peças. O evento é um encontro com a identidade cultural de Alagoas, traduzida em arte, tradição, empreendedorismo e emoção.

A abertura oficial aconteceu à noite e foi marcada por um alegre e colorido cortejo cultural, ao som da Banda de Pífano Fulô da Chica Boa, com artistas do pastoril, Coco de Roda, Guerreiro, Quadrilha junina, entre outros folguedos alagoanos. Em poucos minutos a alegria tomou conta da tradicional Rua Sá e Albuquerque, que colocou para dançar e cantar, o público e convidados da Artnor.

O cortejo cultural abriu a Artnor 2026 com música, cores e tradições que levaram alegria à Rua Sá e Albuquerque, no Jaraguá. Foto: Julio Vasconcelos

Na solenidade de abertura oficial, além de convidados e autoridades importantes para o cenário cultural de Alagoas, esteve presente toda a diretoria executiva do Sebrae Alagoas: o superintendente Domício Silva, o diretor técnico, Keylle Lima, a diretora administrativa e financeira, Juliana Almeida, e também o presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae Alagoas, Kennedy Calheiros, que destacou a importância de manter viva a iniciativa Artnor.

“A cultura é o que sustenta a nossa história e projeta o nosso futuro. O artesanato representa exatamente isso. Identidade, tradição e também geração de renda. Para o Sebrae, realizar a Artnor é cumprir o nosso papel de fortalecer o pequeno negócio, valorizando quem transforma sua arte em sustento e leva o nome de Alagoas adiante. Que seja um espaço de bons negócios, mas também de celebração da nossa cultura”, celebrou o presidente.

O superintendente Domício Silva destacou, em sua fala, o significado simbólico do momento vivido durante a abertura da Artnor, chamando a atenção para a importância de reconhecer o presente como um tempo de celebração, valorização da cultura e fortalecimento do artesanato alagoano.

Para ele, mais do que um evento, a Artnor representa um encontro entre tradição, identidade e oportunidade para os pequenos negócios. “Gostaria de evidenciar este tempo instante em que estamos. O tempo agora não é de falar, é de celebrar. Celebrar o Dia do Artesão, reconhecer o talento de quem transforma cultura em negócio e valorizar o que Alagoas tem de mais autêntico. A Artnor é esse espaço de tempo, onde tradição, empreendedorismo e identidade se conectam para fortalecer os pequenos negócios e transformar vidas. Vivam este tempo. É tempo de Artnor”, disse o superintendente, ao declarar aberta a maior feira de artesanato autoral de Alagoas.

Domício Silva destacou a Artnor como espaço de valorização da cultura, da identidade e dos pequenos negócios alagoanos. Foto: Julio Vasconcelos

 

Ao longo dos próximos dias, o Espaço Armazém e todo o entorno do Jaraguá se tornam território de criação, troca e oportunidades para artesãos e empreendedores.

Com mais de 80 expositores de diferentes regiões do estado, a Artnor se consolida como o principal evento de artesanato autoral de Alagoas e uma vitrine estratégica para pequenos negócios criativos. A iniciativa reforça o papel do artesanato como força econômica, cultural e social. A organização do evento estima superar R$1 milhão em vendas. Apenas no primeiro dia da edição, a soma chegou a mais de R$500 mil, com peças esgotadas já nas primeiras horas da tarde.

Para a analista do Sebrae Alagoas, Marina Gatto, a construção da Artnor reforça um modelo de desenvolvimento que valoriza o território e as pessoas que fazem parte dele. “A Artnor ressurge grandiosa como é de fato sua origem. Ela tem o propósito de integrar o artesanato a uma experiência mais ampla, que envolve cultura, economia criativa e o fortalecimento dos pequenos negócios. É um evento construído de forma colaborativa, que valoriza quem produz e também quem vive e movimenta o território.”

Entre os artesãos que participam desta edição, histórias de tradição e inovação se cruzam. É o caso da crocheteira Lívia Crisiane, representante do coletivo Crochê Delas, que leva para o evento um trabalho marcado pela força do coletivo feminino.

“O Crochê Delas surgiu a partir das oficinas que eu realizei e da vontade de fortalecer o trabalho de mulheres da nossa região. Na Artnor, a gente leva mais do que produtos, leva propósito, identidade e a história de muitas mulheres que constroem isso juntas”.

Lívia Crisiane leva à Artnor a força do coletivo Crochê Delas, unindo artesanato, identidade e protagonismo feminino. 

 

Diferenciais que transformam a experiência

A Artnor 2026 amplia sua proposta e apresenta uma programação que vai além da comercialização de peças artesanais. O evento reúne oficinas, apresentações culturais, experiências interativas e um desfile de moda autoral que coloca o artesanato na passarela, mostrando que técnicas tradicionais também ocupam espaço no design contemporâneo.

Na gastronomia, o público poderá vivenciar nos restaurantes do Jaraguá e entorno, os sabores que dialogam com a cultura local, reforçando a conexão entre tradição e inovação. Já as oficinas oferecem a oportunidade de aprender diretamente com artesãos, aproximando visitantes dos processos criativos e do fazer manual.

Essa diversidade de experiências fortalece o posicionamento da Artnor como um evento que conecta cultura e negócios, ampliando as possibilidades de geração de renda para os empreendedores envolvidos.

“Para mim é uma excelente oportunidade de adquirir peças dos artistas e mestres alagoanos que tanto admiro, e vejo sempre exposto Brasil afora. Ter uma arte desses conterrâneos na minha casa é uma grande honra, e a Artnor aproxima demais esse relacionamento”, disse Iara Vasconcelos, que aproveitou o primeiro dia do evento para comprar peças dos artistas do interior de Alagoas.

Com mais de 80 expositores, a Artnor reúne artesãos de várias regiões e reforça a força criativa do feito à mão em Alagoas. Foto: Julio Vasconcelos

 

Arquitetura histórica e ocupação do território

Um dos grandes diferenciais desta edição é a ocupação completa do Espaço Armazém, um prédio histórico e tombado que integra a memória da antiga infraestrutura açucareira do porto de Maceió. Os galpões ganham nova vida ao abrigar o evento, criando um diálogo entre passado e presente.

A proposta vai além do espaço expositivo. A programação se estende pelas ruas do Jaraguá, incluindo a Rua Sá e Albuquerque e equipamentos culturais como o Teatro Homerinho, promovendo uma ocupação integrada do bairro e fortalecendo o ecossistema local.

Entre ruas históricas e espaços culturais, o Jaraguá se torna cenário vivo para a arte, a tradição e os negócios criativos. Foto: Julio Vasconcelos

 

Tecendo o Futuro

Com o conceito Tecendo o Futuro, o evento reforça a importância do feito à mão como símbolo de identidade, inovação e desenvolvimento econômico, conectando tradição e novas oportunidades para o artesanato alagoano.

Nos próximos dias, o público poderá acompanhar uma programação intensa que reúne arte, cultura, moda, gastronomia e empreendedorismo, consolidando o evento como um dos principais eventos da economia criativa no Nordeste.
A Artnor segue até o dia 22 de março, com visitação das 14h às 21h, nesta sexta e das 10h às 21h no sábado e domingo. A entrada é gratuita.

 

Acesse a programação completa: https://www.instagram.com/p/DVyC4DDj4Dn/?igsh=bDd5cndyOWVhZXFs