Associei-me ao protesto da namorada de Dom Vorcaro, o banqueiro/mafioso das estrelas. Ela mostrou a sua sincera indignação ao ver publicadas, principalmente na imprensa rasteira e nas redes sociais - território onde o respeito não encontra morada -, as suas conversas íntimas com o personagem que comprou uma banda da República.

Por mais que sejam “engraçadinhas” e alimentem papos  de botequim, as mensagens vazadas não fazem parte dos crimes que o personagem sujo e cretino praticou. Só a eles, que pelejaram na cama, pertencem as declarações provocantes e tórridas, trocadas via celular.

A velocidade com que se propagaram diz mais respeito a nós, aqui do lado de fora da alcova do casal, do que a eles. Aliás, duvido que a imensa maioria dos que replicaram as frases picantes, às gargalhadas, não tenham dito algo similar à pessoa amada ou desejada - na confiança ou esperança de que ali morressem as palavras ditas e benditas.

Apanhei um bocado quando escrevi um texto, aqui mesmo, domingueiro, defendendo o direito de artistas - e outras personalidades biografáveis - protegerem suas intimidades. Por mais que gritassem que eu queria a “censura”, tentei traduzir, com argumentos, uma das máximas de Nelson Rodrigues sobre o tema: 

- Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.

Objetivamente, gente, a nossa irresistível curiosidade sobre o assunto tão somente é uma prova da mistificação, tola e infantil, de algo que nos deve ser natural, agradável, e que nos ajuda a viver.

Nem mesmo aos participantes do encontro de corpos e paixões é dado o direito de vazar as conversas que estimulam os nossos hormônios e nos conduzem a um momento único – ainda que replicável. 

No excepcional “O adolescente”, Fiódor Dostoiévski nos joga na cara uma verdade que há de valer para todo o sempre: “A ninguém é permitido falar com terceiros sobre suas relações com uma mulher”. Atualizando aos tempos vividos de agora, isso vale para todos os gêneros. No mais, quando não resistimos a contar aventuras identificando a outra parte, cometeremos tão somente bravata e cabotinismo, coisas de que não conseguimos nos livrar com facilidade, nem na idade adulta ou envelhecente.

No caso das biografias “não autorizadas”, o autor busca principalmente satisfazer a curiosidade dos leitores/leitoras sobre os casos amorosos, principalmente extraconjugais, dos (as) biografados (as). Ainda que contem a vida de um gênio ou de um criminoso, o centro das atenções deverá mesmo ser a vida sexual dos personagens.

Leandro Karnal, antes de se tornar um popstar, já contava uma historinha preciosa sobre o anseio de homens e mulheres quanto à vida dos outros - na cama. Disse ele que quando queria atrair a atenção dos seus alunos/alunas para a história da Segunda Guerra ou da Alemanha nazista lembrava que Hitler era roncolho (tinha só um testículo).

Pimba! Era sucesso imediato.

Se querem saber a minha opinião sobre o discorrido aqui, vos digo, sem censuras: naquele território, a alcova, só não cabe a violência.

No mais, que seja bom para os dois.