Investigação do MPF apura possível crime ambiental em Salvador, enquanto histórico de autuação e denúncias em Alagoas reforça alerta sobre operações da empresa.

A atuação da Intermarítima Portos e Logística voltou ao centro das atenções ambientais no Nordeste após a interdição de um terminal portuário ligado à empresa em Salvador, na Bahia.

O terminal localizado na praia de São Tomé de Paripe foi interditado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) depois que análises identificaram presença de nitrato e cobre na água e na areia da praia. A investigação começou após moradores perceberem líquidos com coloração amarela e azul na faixa de areia próxima ao terminal.

Segundo o órgão ambiental, o líquido amarelo indica presença de nitrato (NO₃) e o azul aponta concentração de cobre (Cu). As substâncias foram encontradas em área localizada atrás do terminal, onde ocorre estocagem e movimentação de granéis sólidos.

Após inspeções técnicas, o Inema apontou correlação entre a contaminação e as atividades operacionais do terminal, o que levou à interdição temporária das operações até que sejam adotadas medidas ambientais e esclarecidas as causas do problema.

MPF investiga possível crime ambiental

Além da interdição, o caso também passou a ser investigado pelo Ministério Público Federal (MPF).

De acordo com reportagem publicada pelo jornal A Tribuna, o MPF apura se o Terminal Itapuã, operado pela Intermarítima, teria lançado água contaminada com cloreto de potássio no mar da região de São Tomé de Paripe.

O inquérito busca verificar possível crime ambiental relacionado ao despejo irregular de efluentes no oceano.

Relatórios ambientais também apontam que o terminal já havia sido multado em cerca de R$ 30 mil em 2023 por degradação ambiental relacionada ao lançamento de água pluvial contaminada.

Foto: Reprodução/ TV Bahia

Empresa já foi multada em Alagoas

A atuação da empresa também já foi alvo de questionamentos ambientais em Alagoas. A Intermarítima mantém operações no Porto de Maceió, onde chegaram a ser registradas denúncias sobre armazenamento de grandes volumes de coque de petróleo a céu aberto.

Além das denúncias, a empresa chegou a ser autuada e multada pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) após um episódio de contaminação do mar por partículas de petcoque durante a descarga de um navio no Porto de Maceió.

Na ocasião, equipes de fiscalização identificaram a presença do material no ambiente aquático. O caso foi classificado como infração ambiental grave, resultando em multa e na exigência de apresentação de relatório técnico com explicações e medidas de contenção.

O petcoque é um subproduto do petróleo que exige controle rigoroso de armazenamento e manuseio, pois suas partículas podem provocar impactos ao meio ambiente e à qualidade da água.

Debate sobre responsabilidade ambiental

Os episódios registrados na Bahia e em Alagoas ampliam o debate sobre responsabilidade ambiental em operações portuárias, especialmente em regiões costeiras e urbanas.

Especialistas alertam que a movimentação de granéis minerais e derivados do petróleo exige protocolos rígidos de controle para evitar contaminação do mar, da areia e do ar, além de possíveis impactos à fauna marinha e às comunidades próximas.

Com investigação federal em andamento na Bahia, histórico de multa ambiental e denúncias registradas em Alagoas, as atividades da Intermarítima passam a ser observadas com atenção redobrada por órgãos ambientais e pela sociedade. 

 

*Foto: Inema/ Divulgação