O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), afirmou que o chamado “caso Master” não tem relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que a oposição tenta associar o episódio ao governo sem apresentar provas.

Em entrevista ao programa Sala de Imprensa, do SBT News, nesse domingo (8), o ministro minimizou o encontro institucional entre Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto. Segundo ele, o presidente recebe representantes de diferentes setores da sociedade como parte das atividades do cargo.

“Ele recebeu Vorcaro no Planalto, como recebeu o setor produtivo inteiro. O presidente recebeu institucionalmente, no papel de presidente da República. O que é fato é que as ligações do Master estão escancaradas aí. Eles querem jogar para cá, mas as chances são zero”, afirmou.

Renan Filho também declarou que a oposição tenta utilizar o episódio politicamente contra Lula. “A grande dificuldade da oposição em relação ao presidente Lula é essa, com base em negacionismo tenta convencer as pessoas enganando”, disse.

Na avaliação do ministro, as investigações conduzidas por órgãos como a Polícia Federal e o Banco Central demonstram que o governo tem atuado para conter irregularidades relacionadas ao caso envolvendo o banco e seu controlador.

“O enganador até almoça na sua casa. Mas não janta porque no meio da tarde você descobre e toca ele pra fora”, afirmou o ministro, ao comentar a presença de Vorcaro em agendas no Planalto.

Renan Filho também disse que o episódio pode servir como crítica à forma como o sistema financeiro vinha sendo conduzido anteriormente. Segundo ele, o crescimento do banco ocorreu em um período anterior do Banco Central, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No Congresso Nacional, o senador Renan Calheiros, pai do ministro, preside a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, onde Daniel Vorcaro deve prestar depoimento nesta terça-feira (10).

Questionado se a comissão pretende investigar integrantes do chamado “centrão”, Renan Filho afirmou que a atuação do colegiado é voltada à fiscalização de possíveis crimes. “Acho que a CAE pode virar o terror do criminoso e do bandido, mas do membro do centrão, desde que ele não seja bandido, não”, declarou.

Segundo o ministro, a Comissão de Assuntos Econômicos é uma das mais importantes do Senado, ficando atrás apenas da Comissão de Constituição e Justiça, e tem competência para convocar autoridades do sistema financeiro, incluindo o presidente do Banco Central.