Vítimas do desastre provocado pela mineração de sal-gema em Maceió realizam, neste sábado (7), uma caminhada em memória aos oito anos do caso Braskem. O ato está marcado para as 9h, com concentração na entrada do Flexal de Cima, reunindo moradores diretamente afetados pela tragédia socioambiental.

A mobilização tem como objetivo relembrar os impactos provocados pelo afundamento do solo em bairros da capital e reforçar a cobrança por justiça e reparação integral às comunidades atingidas.

O marco que deu início à crise ocorreu em 3 de março de 2018, quando um tremor de terra foi registrado no bairro do Pinheiro. O episódio revelou as consequências da mineração de sal-gema realizada pela Braskem na capital alagoana e levou à confirmação do processo de subsidência do solo — o afundamento progressivo do terreno — que atingiu cinco bairros da cidade.

Desde então, o fenômeno provocou danos estruturais em milhares de imóveis e forçou cerca de 60 mil moradores a deixarem suas casas. Ao todo, aproximadamente 15 mil imóveis foram desocupados, provocando o esvaziamento de comunidades inteiras e impactos sociais que ainda persistem.

Mesmo após quase uma década do início da crise, o caso continua cercado de controvérsias no campo judicial. Até o momento, as únicas condenações relacionadas ao episódio estão ligadas a um protesto realizado em 2021, e não à responsabilização direta da empresa ou de autoridades investigadas.

A caminhada também tem o objetivo de preservar a memória coletiva sobre o desastre e fortalecer a mobilização social em torno do tema.

“Para lembrar o crime socioambiental provocado pela Braskem em Maceió — e para que essa tragédia nunca mais se repita em Alagoas ou em qualquer lugar do Brasil”, afirmou Maurício Sarmento, uma das vítimas e integrante do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB).

O percurso da caminhada deve passar pelos Flexais e pela região da Rua Marques de Abrantes, áreas diretamente marcadas pelos impactos da subsidência.

A organização do ato convida moradores, movimentos sociais e lideranças comunitárias a participarem da mobilização. Segundo os organizadores, o momento será de reafirmar a luta das comunidades atingidas.

“Este será um momento de reafirmar a verdade, fortalecer a luta das comunidades atingidas e exigir justiça, reparação integral e respeito às vítimas”, destacou Sarmento.