Uma inspeção realizada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) constatou problemas estruturais e falta de profissionais no Centro Médico da Polícia Militar de Alagoas, localizado no bairro da Pajuçara, em Maceió. A vistoria ocorreu na terça-feira (3) e foi conduzida pela Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial, coordenada pela promotora Karla Padilha.

 

Durante a inspeção, o Ministério Público identificou que o imóvel onde a unidade funciona atualmente apresenta condições consideradas precárias, com espaços reduzidos, odor forte proveniente de tubulações e estrutura inadequada para o atendimento médico de policiais militares e seus familiares.

Segundo a promotora, além das falhas na estrutura física, também há déficit significativo de profissionais da saúde, principalmente médicos e especialistas em saúde mental. Atualmente, apenas um psiquiatra atende na unidade, apesar da grande demanda por acompanhamento psicológico entre integrantes da corporação.

 

O centro médico funciona hoje em um prédio alugado que substituiu o antigo hospital da Polícia Militar, localizado ao lado do Quartel do Comando-Geral. A estrutura original, inaugurada em 1933 e que possuía diversas especialidades médicas e setores hospitalares, está fechada há cerca de seis anos e sem previsão de reforma.

O MPAL informou que já houve levantamento técnico e relatórios sobre a situação do prédio, mas o processo de reestruturação não avançou. A promotoria também aponta que há um déficit de 51 médicos no quadro de saúde da corporação, número considerado necessário para atender toda a tropa.

 

 

Dados citados pelo MPAL também revelam preocupação com a saúde mental dos policiais. Em 2020, cerca de 670 militares foram afastados por problemas de saúde em um período de seis meses, sendo 305 casos relacionados a transtornos mentais e comportamentais.

Durante a inspeção, a promotoria também verificou falhas na gestão de prontuários médicos, que ainda são mantidos em arquivos físicos e não foram completamente digitalizados, o que pode comprometer a segurança das informações.

De acordo com a promotora Karla Padilha, as irregularidades serão incluídas em relatório e encaminhadas aos órgãos responsáveis, com cobrança de providências para garantir melhores condições de atendimento aos policiais militares.