O governador Paulo Dantas assumiu o governo de Alagoas, em 2023, após um período como “tampão”, quando superou legalmente as denúncias da PF na Operação Edema e o processo do STJ - que o STF tratou ao modo.
Mas desde o início do seu mandato conquistado pelo voto, nitidamente, ele buscou construir uma nova biografia, que o deixasse marcado na história de Alagoas como um governante urbano, de formação humanista e predominantemente de visão social.
Contando com uma azeitada máquina de propaganda, permanente e atuante, Dantas foi ressurgindo como um novo personagem, distanciado dos seus embates de Batalha, inclusive com os Boiadeiros.
Aproximou-se das chamadas – e esvaziadas – forças progressistas locais para compor o novo personagem. E não se pode dizer que, embora com a visível rejeição do chamado formador de opinião, não tenha obtido avanços significativos no caminho perseguido.
É verdade: houve aquele episódio com os professores, no ano passado, quando o Paulo Dantas em estado natural ressurgiu e se reapresentou publicamente. Na sequência, ele fez um raro “mea culpa”, o que é pouco comum no meio político, e retomou o objetivo anterior: deixar que a história contasse um capítulo sobre ele mais favorável do que seu período na prefeitura de Batalha e na Assembleia já havia registrado.
Mas eis que veio o caso Sesau – R$ 100 milhões -, com variações que não o favorecem. O retorno, abrupto e sem qualquer explicação pública de Gustavo Pontes de Miranda ao cargo de secretário é o comentário amplo, geral e irrestrito. E nada, nada mesmo, favorece a uma visão de alguém que pesa legalidade e moralidade na mesma balança.
Dantas volta, portanto, várias casas no jogo da sua “nova” biografia.
Se, como insistem alguns do seu entorno, a decisão não foi dele, só o próprio Dantas poderia dizer – e publicamente, ainda quer isso fosse para admitir a sua fragilidade como dono da caneta de governador.
O que, em 7 de janeiro do próximo ano, ele não mais será.







