O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) conduziu, nesta quinta-feira (26), a votação que aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no âmbito da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga possíveis irregularidades no INSS.
A deliberação foi seguida por um cenário de tensão no plenário. Parlamentares da base governista avançaram em direção à mesa diretora, onde estavam o presidente da comissão e o relator, Alfredo Gaspar. A Polícia Legislativa e deputados da oposição tentaram conter a aproximação, mas houve empurra-empurra e troca de acusações.
O clima se agravou após um bate-boca entre o deputado Rogério Correia (PT-MG), aliado do governo, e Evair Vieira de Melo (PP-ES), da oposição. Também participaram do tumulto o deputado Luiz Lima (Novo-RJ) e o próprio Alfredo Gaspar. Apesar da tensão e de tentativas de confronto físico, ninguém ficou ferido. A sessão foi suspensa temporariamente e retomada minutos depois.
Durante o impasse, governistas defenderam que os requerimentos fossem votados em bloco e acusaram o presidente da CPI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), de priorizar pautas consideradas favoráveis à oposição. Segundo integrantes da base, haveria uma condução seletiva dos trabalhos, com a inclusão de pedidos já rejeitados e a exclusão de requerimentos ainda não analisados.
Além da quebra de sigilo do filho do presidente, a comissão aprovou a convocação de Gustavo Gaspar, ex-assessor do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e do ex-CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, para prestar depoimento. Também foram autorizadas medidas de investigação envolvendo o Banco Master, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal da instituição.
Fábio Luís passou a ser citado por parlamentares da oposição após reportagens indicarem que ele teria recebido valores de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. De acordo com Alfredo Gaspar, a quebra de sigilo foi solicitada diante da suspeita de que o filho do presidente possa ter atuado como “sócio oculto” do investigado.
Segundo o relator, mensagens interceptadas indicariam que, ao ser questionado sobre o destino de um pagamento de R$ 300 mil feito à empresa de Roberta Luchsinger, Antônio Camilo teria mencionado que o valor seria destinado a “o filho do rapaz”, o que, na avaliação da relatoria, justificaria o aprofundamento das apurações.










